Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Liliane Prata
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- Camila Bianchi - Divagando
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







Eu passava por um cruzamento lá perto da Av. Paulista, indo pra casa de um grande amigo, quando passou um motoboy “levando o capacete pra passear”, com o dito-cujo pendurado no cotovelo. Nisso, outro motoboy, devidamente protegido, parado no sinal vermelho, gritou:

-         Ô, rapaz, o capacete!

O outro ficou constrangido, mas freou, foi chegando mais pra calçada e resolveu acatar o colega, que mandou bem pela segunda vez:

-         Põe o capacete, irmãozinho...

Às vezes, há formas de se ofertar carinho a quem a gente nem conhece.

-Saboreado por: mc às 12h39
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Já li inúmeros e-mails e posts  do tipo “você sabe que está ficando velho quando...”. Agora há pouco, vivi um tiquinho disso.

 

Estava eu tranqüilamente ignorando uma gripe que chegou ontem à noite, caminhando devagarinho (tá doendo TUDO) pela rua rumo ao meu costumeiro cafezinho na Gi (onde estava o pessoal do Estadão fotografando para uma matéria). Na esquina da rua daqui do trabalho, semáforo fechado. Eu ia pela calçada e passei ao lado de uma van escolar. Dentro dela, seis crianças. Até aí, tudo normal, né?

 

Só que cinco delas estavam de celular em punho, conversando sei lá com quem. O único menino a não estar com um telefone olhava distraído a rua, com a cabeça encostada no vidro, relaxado. Todos lá, matraqueando à vontade, assuntos mil, enquanto o outro só contemplava, pensando também sei lá no quê. Mesmo que quisesse, não dava pra conversar com ninguém mesmo... até o motorista “batia um rádio” para alguém naquela hora.

 

Nada contra eles usarem o celular, mas confesso que estranhei.

 

“Na minha época” (caramba! Quem vê até pensa que o cara é matusa), eu também ia e voltava da aula no ônibus da escola. Enooorme, pra quem era tão pequenininho no jardim da infância. O veículo virava sala de aula - havia a popular figura da “tia do ônibus”, uma mulher que tomava conta da galera e às vezes bancava a animadora, como aqueles receptivos do Club Med e de colônias de férias. A mulher bolava musiquinhas, brincadeiras, e o ônibus virava também um anexo ambulante do pátio da escola, incluindo o playground, já que havia tanta poltrona e aqueles canos para nos pendurarmos.

(continua no post abaixo...)

 



-Saboreado por: mc às 13h49
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Com o tempo, os grandes ônibus foram substituídos pelas populares kombis (hojes são as vans tipo Besta). Embora o espaço fosse menor, a bagunça (no bom e no mau sentido) era maior ainda! O motorista tinha que prestar atenção no trânsito e nos pitos que dava na molecada. Era até mais divertido! Ali inventávamos histórias (mentirada do caramba!); trocávamos figurinhas (literalmente, pois elas ainda existiam em profusão); experimentávamos as mais recentes novidades em guloseimas, distribuídas por algum colega ou nós mesmos; namorávamos; brigávamos; cantávamos; gozávamos da cara dos outros. Conhecíamos outros bairros onde nossos colegas moravam – muitas vezes, realidades completamente diferentes das nossas... Vivíamos uma viagem a cada ida e vinda da escola, sempre com muitas novidades.

 

Não acho que eu fosse mais certo ou mais errado que essa garotada de hoje com seus celulares, iPod’s e minigames em punho, cada uma alheia ao mundo real, cercadas por seus domínios virtuais. O pior é que, chegando em casa, alguns deles, ao invés de pôr um short e calçar sandálias de dedo para jogar bola e andar de bicicleta na rua ou nas áreas comuns dos prédios, jogarão a mochila num canto e entrarão num msn, num chat ou baixarão mais músicas em MP3.

 

Como eu disse lá em cima, nada contra, mas a vida não pode ser só isso, meu Deus!

 

Aí termino o post, lembrando-me de um garoto gordinho chamado Frederico, que, com sua irmã, cantavam no banco da frente em seu inglês paupérrimo e ridículo, “embromation” total, mas divertido às pampas. Servia só pra todo mundo rir. Só? Já era muita coisa, perto do pregão da bolsa de valores que virou a van que vi na rua na hora do almoço.



-Saboreado por: mc às 13h47
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Colo: um dia você vai precisar de um.

Todo mundo, por mais forte que seja emocionalmente, um dia precisa de um colo. Da mãe, do pai, de um amigo, do cônjuge...

 

Eu mesmo, que sempre dei colo, acabei precisando (e até acho que estou precisando um pouco neste momento, não tenho vergonha de dizer) e senti como é o “outro lado”. Deve ser assim que se sente um médico quando fica doente. Acho entrevistar para uma matéria, por exemplo, algo muito natural, mesmo que seja com alguém internacionalmente famoso. Mas quando sou o entrevistado...

 

Voltando ao colo. Há um rapaz chegando aos 30 anos, pelo que sei, decidido, determinado em seus objetivos. Trabalha em um ramo dificílimo, no que soube que ele é muito bom. É negociador em operações de risco, como seqüestros, como o Russell Crowe naquele polêmico (e ruim) filme do Taylor Hackford, o Prova de Vida. Ninguém pode dizer que o rapaz não é forte.

 

Ele passou 6 meses em Londres, na sede de sua companhia internacional. Por poucos minutos, não presenciou os atentados do Al Kaeda ao metrô, o qual ele pegava todas as manhãs. Enfrentou tudo numa boa e não deixou que interferisse em sua estadia na capital inglesa. Passeou pela Europa, trabalhou muito, experiências mais que gratificantes.

 

Quando a gente está longe da família, a resistência perante as intempéries da vida aumenta.

 

Chegou ao Brasil há uns 3 dias, se não me engano. Encontrou aqui a avó que, ao que parece, está querendo encerrar o expediente da vida. Hospitalizada com poucas esperanças por parte de todos, embora não seja o que eles desejam. Voltando ao rapaz, está em fase de depressão.

 

Tanto que, um galalau de quase 30 anos de idade, escolado, bem formado e criado, teve que dormir com a mãe na noite passada. Literalmente COM ela, não só na casa dela. O pai, gentilmente (que recentemente passou mais de 1 mês hospitalizado com pneumonia), foi dormir em outro quarto.

 

Fraqueza? Acho que não. Como disse lá em cima, TODO MUNDO precisa de colo em algum momento da vida, mesmo que poucos sejam estes momentos.

 

(continua no post abaixo... esse Uol ... deixa pra lá...)



-Saboreado por: mc às 14h43
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Eu mesmo passei por isso. Quando me separei, perdi meu avô no dia seguinte (nunca havia perdido um parente antes). Com ele e o “casamento”, perdi também qualquer expectativa quanto a minha vida, o chão debaixo de meus pés. Com a morte do vovô, viajei pra ver minha família. É curioso você querer dar apoio exatamente no momento em que mais precisa dele. E dá! Ainda mais se não quer dar mais uma notícia ruim à família e tem que esconder da maioria, pelo menos nos primeiros dias. Mamãe perdera seu pai, e papai também, de certa forma, já que amava tanto o sogro. Sofreu como se fosse o próprio pai, que por acaso ele perdera quatro meses antes da mesmíssima doença. Sofria também por ver a companheira de sua vida enfrentando a situação com garra, mas muita tristeza. Mais a minha situação pois nunca, em toda a família, havia acontecido uma separação. Sinto uma firmeza maior ainda neles dois depois disso tudo.

 

Sei que, nas duas primeiras noites, não consegui dormir em meu quarto da casa dos meus pais. Primeiro, porque estava totalmente desacostumado a dormir só. Segundo, a situação era brava demais... Lá fui eu, em plena madrugada, carregando colchão, roupas de cama, travesseiro e o escambau pro andar de baixo, pro quarto de meus pais. Fiz o maior esforço para não acordá-los (eles estavam muito cansados e abatidos com os acontecimentos e precisavam mesmo dormir pesado). Encostei bastante o colchão ao lado da cama deles, sentindo bem a presença dos dois, e só assim consegui dormir.

 

De manhã, levei uma bronca (leve, mas bronca) dos dois. Mamãe, então! “Você me deu um susto! Acordo, viro-me para o lado e vejo você naquele colchão! Nunca, nem mesmo quando você era recém-nascido, ou quando era bem novinho e ficava doente, eu vi você tão... frágil quanto vi essa manhã! Você sempre enfrentou bem tudo em sua vida, nunca pensei que um dia pudesse ver você nesse estado...”

 

Bem... apesar da bronca, só consegui dormir um pouco na noite seguinte usando o mesmo artifício... na terceira noite, tive que enfrentar sozinho, pois os dois já haviam sofrido mais que o bastante. Dormi mal, mas dormi.

 

Hoje, quando a mãe do tal rapaz, uma mulher da qual gosto muito, me contou do fato de ele ter dormido na cama dela, lembrei-me no ato de como é passar por esta situação. E orei, em silêncio, por ele, que vai sair dessa, se Deus quiser. Da minha parte, peço ao Pai que me dê condições de dar apoio a ela.

 

O melhor no meio disso tudo? E que hoje, mesmo eu sabendo como é precisar de colo, ainda sou capaz de dar o meu. Tinha medo de me tornar frio, de perder isso, algo de que gosto tanto.

 

Seja forte nas cacetadas da vida. Elas não duram pra sempre. E saiba reconhecer quando precisar de um colo, de um abraço, de uma palavra amiga, que Ele sempre acaba mandando através de alguém. Aproveite. E dê também, quando alguém precisar.

 

Semana que vem, retorno com as maluquices de sempre. Porque ninguém é de ferro!

-Saboreado por: mc às 14h42
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Caramba... cobraram-me agorinha mesmo que postasse mais. Só que não é bem assim.

 

No 2º grau, uma amiga me pediu que escrevesse uma poesia para ela. Eu não escrevi, pois esse tipo de coisa não pode ser “encomendada” como uma matéria. Tem que ser espontânea.

 

Aqui funciona do mesmo modo. O blog nasceu pra eu falar das coisas simples do dia-a-dia, que costumamos deixar passar batidas. Também se tornou um modo de eu exercitar uma escrita totalmente informal, coisa que eu não fazia há uns 10 anos. E adorei ter isso de volta.

 

Se cair na simples obrigação, eu simplesmente paro de fazer. E hoje, francamente, tou sem inspiração... É claro que, se vasculhar o passado, há passagens bem bacanas pra postar, como aquelas coisas engraçadas que as crianças vivem dizendo. Talvez a hora do almoço me dê um assunto legal.

 

Em todo caso, o blog é feito com o coração, e continuará assim, do jeito que ele desejar.

 

Ou tão pensando que largarei vcs assim, tão facilmente? Rsrs!

-Saboreado por: mc às 10h05
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Meu dia de "Doutores da Alegria"

Bem... passei o dia com duas atrizes dos Doutores da Alegria num hospital paulistano, no bairro de Itaquera (que eu não conhecia). Prato cehio pra mim, né! Crianças, palhaços... mesmo num ambiente hospitalar, pude ver muito do que tenho vivido quanto a dar valor ao agora, ao presente, à vida.

 

A “Dra. Zuzu”, além de dar em cima de meu fotógrafo (que, a propósito, é casado), enfatizou bastante essa história de valorizar o presente. As crianças, que recebem as coisas no coração como só elas sabem fazer, não me surpreenderam. Mas os pais... esses sim! Eram como palhaços honorários, curtindo as Doutoras e sua “besteirologia”.

 

Já a “Dra. Rubra” falou de um rapazinho cuja meta de vida, naquele momento, era de conseguir ir ao banheiro normalmente (pacinte oncológico, estava com diarréia todo o tempo, internado), só pra ter alta e rever a namorada. O que é banal para alguns, é objetivo de vida para outros...

 

Sei que eu poderia falar muito mais... Lembro-me do Rubem Braga dizendo o quanto era difícil escrever uma crônica sem ter assunto (arte na qual ele era exemplo). Mas... não conseguir escrever por excesso de assunto? Pois é...

 

Sei que não foi um dia comum, e que talvez eu volte lá. Ou só o fotógrafo, já que a Doutora quer “tratá-lo”.

 

Valeu, criançada!

 

E agradeço mais uma vez ao Papai do Céu pelo meu trabalho, que me possibilita essas coisas, fazendo minha vida acontecer de verdade.



-Saboreado por: mc às 14h55
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Dono-de-casa

Engraçado... em casa, meu pai e minha mãe sempre dividiram bem as obrigações, tanto em relação à casa quanto aos filhos. Ambos faziam o que era necessário a qualquer hora. Ambos sempre participara em todos os sentidos, e nos ensinaram a fazer o mesmo. Eu bancava a babá de meus irmãos numa idade em que talvez eu é que precisasse de uma, mas tudo rolava numa boa, sem encrencas. Umas porradinhas aqui e ali, uns puxões de cabelo, gritaria vez em quando... mas quando meus pais chegavam tava todo mundo de banho tomado, dever de casa pronto, alimentado... só faltavam as auréolas no alto da cabeça...

 

Ninguém mais se surpreende com uma mulher como chefe de família. Mas um homem que assume sua porção “dono-de-casa” ainda chama a atenção... Por que?

 

Ontem eu estava no supermercado quando uma colega aqui do trabalho me encontrou. Comentou brincando com outros colegas, “vida de dono-de-casa é assim mesmo, donas-de-casa fazem compra é no domingo”. Brincou numa boa, sem maldade nenhuma. Mas não era só ela que olhava com certa curiosidade.

 

Quando eu morava com minha ex, era eu que lavava as roupas, as minhas e as dela. Só que, em nosso prédio, havia uma lavanderia estilo americano, onde era normal encontrarmos outros moradores. As mulheres vinham com um certo papo de aranha e eu logo tirava umas roupas femininas do cesto pra pôr na máquina. Como eu tirava a aliança dependendo do serviço que ia fazer... Melhor ainda era quando minha ex chegava e já vinha beijando! Rsrs! Na faculdade, ela comentava com os colegas e ninguém acreditava. Faziam piada com aquela propaganda de sabão em pó em que apareciam uns maridos debaixo d’água esfregando as fibras das roupas.

 

Falando nisso, um dia eu estava sozinho nessa lavanderia e chegou um rapaz com o seu cesto, puxando assunto:

-          (suspiro) É... essa vida de solteiro é fogo, né?

-          Deve ser... já não tou nela há uns 2 anos...

-          Ué!!! Você é casado???

-          Sim! Qualé o problema?

-          E tá lavando roupa?

-          ???... É... Inclusive as dela.

-          Num tou entendendo!

-          É mas eu já entendi...

-          O quê?

        -       Porque você ainda tá solteiro...

-Saboreado por: mc às 11h46
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Indico o blog http://jornalblogacional.zip.net, que por sua vez me indicou. Quer dizer... indicou o meu blog!

O bloguinho deles é feito em forma de apresentação de telejornal, no estilo já tradicional de um casal (que tem laços mais que os profissionais) como apresentadores. Divertido, leve e bem escrito.

Valeu, gente! Olhaí:


  • A Lua me disse que existe um blog que eu não posso deixar de indicar de jeito nenhum... Com uma forma clara e criativa de blogar o Too Much Coffe atrai e prende nossa atenção... gostei demais...num dos posts me deu uma saudade da minha terra, minha linda sampa...aiai...




-Saboreado por: mc às 09h32
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Isso é que é finesse!

Esta, só entenderá quem acompanha o blog há algum tempo... rsrs!

 

Eu com uma fome danada ontem, no almoço, querendo comer bastante. Pra variar, havia esquecido de sacar dinheiro e com os tais cartões na carteira, apenas. Entrei numa padaria da Teodoro Sampaio que aceitava Smart VR.

 

Ambiente “eclético” quanto aos freqüentadores. Consegui uma mesa que não tivesse tanta farinha de mandioca espalhada sobre o granito e tantos restos de arroz na cadeira. Só enquanto lia o cardápio cheio de erros de português aprendi uns 8 palavrões novos da galera em volta, principalmente dos funcionários.

-          Ôchi, Zé Carlos, traz a p*#%@ do c#@*#*% do prato do “criente” ali!

-          Ah, vai tomar no #*@%.

 

E por aí afora.

 

Pelo barulho, parecia que os ônibus passavam por dentro da padaria, e não na rua. Um almoço relaxante, já que a cadeira e a mesa vibravam com os veículos, a ponto de os talheres se mexerem. Pelo barulho, eu estava surpreso por ouvir os palavrões.

 

Após enriquecer meu vernáculo, tentava não olhar os outros clientes comendo, porque eu não podia deixar de almoçar. Tava encarando qualquer coisa... Eis que o “garçom”, cuja camisa já deve ter sido branca um dia, chegou perto de mim coçando as coisas... e ficou quieto, olhando pra mim! Tive que perguntar:

-          Que que foi?

-          Vai beber o quê?

-          Hmmm... nada não...

É que vi servirem a uma moça na mesa em frente. Dizem que, se você bebe no copo que alguém acabou de usar, descobre segredos da pessoa. Se eu usasse um copo daqueles, saberia mais da mente das pessoas que o Professor Xavier dos X-Men. Pelo menos de um bairro inteiro.

 

Imediatamente virou as costas e ficou por isso mesmo.

(continua abaixo...)



-Saboreado por: mc às 09h21
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Estava olhando a rua pra ver algo mais agradável enquanto a comida não vinha, quando senti a presença de alguém em pé ao meu lado, mas não olhei. Devo ter ficado olhando a rua por uns 2 minutos, até a tal presença enfiar um prato na minha cara. Quase perguntei se ele não tinha boca pra falar, mas deixei pra lá... Vai mexer com doido...

 

Como vocês estão acostumados à minha descrição dos pratos, lá vai (por sua conta e risco). Em meio ao arroz meio cru, partículas de coisinhas que até agora não sei se eram animais, vegetais ou minerais. Tava mais pro terceiro, dada a “consistência”. Se meus dentes falassem, me xingariam. A salada, dava pra ver que veio da roça mesmo. Aliás, pela análise do solo presente nela, dava até pra dizer de que região, como naqueles filmes estilo CSI. Se eu recolhesse toda a terra na alface, encheria um vasinho pra plantar alguma coisa. Quem sabe outra salada. Falando em salada, achei os tomates (engraçado... não me lembro de ter visto tomates peludos antes... e até com cara, pernas e braços já vi, naquele filme B horrendo, mas com pêlos...), a alface e a terra embaixo de um mar de cebolas. Ainda bem que estava com um lenço no bolso, como sempre. Chorar em público constrange.

 

As batatas fritas devem ter sido abatidas por afogamento. No óleo. Os bifes, que não ousei perguntar de que bicho vieram, até que não estavam ruins. Aquele pessoal que desmaia ao ver sangue cairia duro ao partir um deles. Isso eu até gostei. Aí o garçom me joga algo na mesa (“joga” mesmo), depois de uns 3 palavrões com o cara do balcão, que só respondeu o mesmo “ôchi” de antes.

-          Que que é isso?

-          Farinha, ôchi!

-          Não, obrigado, não pedi.

Fiquei com medo. Não sei até agora se a farofa era de amianto, granito ou limalha de ferro de alguma oficina dali de perto. Pedi um azeite e ele trouxe a lata. Olhei, li o rótulo e ficou só na leitura mesmo. Esperei uma meia hora pra ele entender que eu queria um guardanapo. Veio. Unzinho só, mas veio. Neste ínterim, vi uma moça lavando a louça. Olhei para o outro lado, era melhor não ver... Quase fui ao supermercado ao lado comprar um vidro de detergente de presente pra ela. Sabe como é, apresentar uma novidade do século passado que vi que ela não conhecia...

(continua no post abaixo... vou mandar alguém do Uol almoçar lá...)



-Saboreado por: mc às 09h21
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Já que eu havia começado a comer (sem a terra), fui, corajosamente, até o fim. Mal dei a última garfada e o prato “zuup!”, sumiu de repente. O cara recolheu tudo.

 

-          Qué sumvbvmb?

-          Hã???

-          Smvbvmbv...

-          Hein?

-          QUÉ SUBRIMESA?

-          Ah, tá! Deus me liv... quer dizer... não, obrigado...

Sou contra comer qualquer fóssil, mesmo com açúcar. Sabe lá de quando eram aqueles doces...

 

Bem... pelo menos aceitavam o Smart VR... e tou vivo até agora.

 

 

Post scriptum: Versátil eu, né? Isso é que é gosto variado.

 

P.S. 2: Conhecem algo que tire um bafo insistente de cebola brava? Nem Listerine resolveu...

 

P.S. 3: De lá, corri pra Gi, que não sou de ferro.

 

P.S. 4: Nesse lugar ninguém teve vontade de ir, como em outros posts, né?

 

P.S. 5: Quem entrou neste blog pela primeira vez hoje, não volta nunca mais... rsrsrs!

 

  

 

 



-Saboreado por: mc às 09h18
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Não é à toa que gosto tanto de criança

Dia desses eu conheci alguém muito bacana lá no Gi Café. Uma atriz muitíssimo talentosa, por quem sempre nutri simpatia. Pessoalmente, a tal simpatia aumentou, como felizmente já aconteceu com muitos artistas que conheci. Chamou-me a atenção como ela está bonita e mais simpática ainda que na TV e no teatro, onde também já apreciei um trabalho dela bastante divertido. Engraçado é que já votei nela para melhor atriz coadjuvante em um desses festivais de cinema da vida, pois achei que ela roubou a cena, foi a melhor do filme inteiro.

 

Dentre muitas histórias bacanas, uma me chamou a atenção em especial. Ela falava de quando foi pegar sua netinha de 3 pra 4 anos na escola, coisa que disse adorar fazer.

-         E aí? O que você estudou hoje?

-         Aprendemos sobre o Egito.

-         Ah, é? Que legal! E o que você aprendeu sobre o Egito?

-         Sobre o faraó Tutancâmon.

A jovem avó ficou surpresa. “Tu-tan-câ-mon... caramba, é um nome muito grande para uma boquinha tão pequenininha guardar...”

-         E o que você sabe do Tutancâmon?

-         Ah... ele era uma múmia!

A atriz riu, enquanto a menininha ficou séria, pensativa, até concluir:

      -    É... mas ele morreu muuuito jovem!

-Saboreado por: mc às 08h48
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Estava eu tranqüilamente caminhando pra casa ontem à noite, após a faculdade, pensando justamente sobre algo pra escrever aqui nestas mal traçadas, até que... passei em frente a um sobradinho na Joaquim Antunes que sempre me chamou a atenção. Antes era uma lojinha de decoração, com cafeteria, sempre fechada nas horas em que passo lá. Há algum tempo, notava um movimento diferente, como um barzinho, restaurante ou coisa assim. Só que, como não havia nada escrito, ficava na minha. Podia ser um lugar pra festas particulares...

 

Sei que o assunto pro blog dançou, nem lembro mais o que era.

 

É uma pizzaria, diferente de qualquer outra que já vi aqui na terra da pizza. A começar pela casa: tijolinho aparente, vidro e madeira de demolição (também presente nos móveis, cada um mais legal que o outro). Cortinas de chita (!!!), jogos americanos daquele tecido que parece o mesmo de redes de dormir. Os pratos, nenhum é igual ao outro, pintados manualmente em bases giratórias. Cores diferentes em ambos os lados. Descansos de panela em palha trançada, enfeites de madeira pelas paredes e teto (estrelas, macacos, bananas que de longe parecem reais, peixes...). Muita coisa parece ter ficado da antiga loja, como os sinos de barro tocados pelo vento, tucanos de madeira em uma  gaiola de vergalhão (gaiola aberta, viu, Barbarataz!?). As prateleiras em vários estilos diferentes, variada carta de vinhos. Intercalando as paredes de tijolos aparentes, colunas e portais em amarelo, azul, vermelho e laranja. No piso superior, chão de tábua corrida! Janela toda aberta mostrando uma tremenda lua lá fora, numa senhora noite!

 

Bem, vamos ao que interessa. O Celso, proprietário, disse que ficou um bom tempo pesquisando os melhores ingredientes. Deu pra ver que é verdade. A muçarela (é com ç mesmo! Vê no Aurélio. Feio, mas...) não é aquela coisa que, derretida, vira um óleo amarelo. É magrinha, saudável, nada enjoativa. A massa é integral, crocante, porém macia, na espessura certa. Dá pra comer até pura, de tão boa. Azeite espanhol, que fica ótimo pra massa. A pizza é assada numa forma de pedra sabão, diretamente de Minas Gerais, terra do Celso. Ele veio de Ouro Preto pra cá e investiu na mania paulistana. Parece que vai se dar bem!

 

O melhor: eu pedi uma brotinho e veio uma grande, por engano. Mas cobraram preço de brotinho mesmo, não foi culpa minha. Tanto melhor!

 

Isso, sem falar nos sucos diferentes, que provarei um a um com tempo: cambuci, cagaita (o nome é estranho, mas o sabor é ótimo), uvaia...

 

Tudo muito colorido e rústico ao mesmo tempo, enfeites pra qualquer lugar que se olhe, do chão ao teto, da grama da entrada à cozinha, muito caprichada e limpa.

 

Mais curioso: saiu um cara, o Jarbas, brasiliense, que era o garçom. Ele tirou o avental e a touca, pendurou-os na entrada da cozinha, pôs um capacete de ciclista, pegou a caixa térmica e foi fazer um delivery de bike! Voltou logo, tirou o capecete, lavou-se e recolocou o avental.

 

No som, uma cantora que, segundo o Celso, é bem conhecida em Minas: Marina Machado. Vou pesquisar mais, pois o som é na medida pra Gi tocar lá no Café. Aliás, a Pizzaria (que a propósito se chama Dona Maria), parece um Gi Café ampliado, pelo clima e pela decoração, além do pessoal bacana.

 

Mais surpresa. Pedi pra embrulharem a metade da pizza que sobrou. Na caixa, poesia na tampa! Um texto bem interessante de um conterrâneo do Celso. Não me lembro do nome agora, mas o texto valia a pena!

 

Depois, o pessoal da rua deve ter visto um louco indo pra casa. Ele estava com uma caixa de pizza nas mãos, lendo alguma coisa escrita na tampa e sorrindo feito um bobo, pela calçada afora na noite gostosa, feliz pelo dia que terminou de forma tão agradável.

-Saboreado por: mc às 09h05
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Ontem resolvi me dar mais um presentinho de aniversário. Bem... confesso que, de uns 3 anos pra cá, não curto aniversário meu. Faço de conta que é um dia como outro qualquer (e é) e torço pra passar rápido. Mas até que ontem foi legal, tranqüilo... Aqui na redação, temos o costume de o aniversariante comprar um bolinho ou coisa que o valha e reunir a galera na copa, nossa “Starbucks” (tem até o vidro com o balcão, no qual você se debruça pra tomar um cafezinho e aprecia o “movimento”). Não quis comprar bolo, quis algo diferente, e achei uns pãezinhos com trocentos recheios diferentes, dos quais o pessoal gostou. Mas foi gostoso, principalmente pelos abraços e recados carinhosos via fone, e-mail e torpedos (além daqui do blog). Liguei pra mamãe, porque era aniversário dela tb. Pouca gente pode dizer:

-          Parabéns pra você!

-          Pra você também!

 

Mas o assunto do post não é esse. Como eu disse, eu quis me dar outro presentinho e fui almoçar na Gi, o que é sempre gostoso e sempre reserva boas surpresas. Falando em surpresas, ontem não tinha almoço lá... fui a outro lugar e voltei pra tomar meu cafezinho. A Joana, filha da Gi, me fez experimentar o melhor quibe cru que já comi em minha vida, e de quebra me ensinou a fazer. Não acho que eu consigo fazer tão bem quanto ela... tava delicioso!

 

Mas o assunto também não é esse... (ê, caramba! O cara tá prolixo hj!). Vamos a ele.

 

Fui almoçar na Fradique Coutinho, em frente à Sala Uol de Cinema. Comi rapidinho e fui pra Gi. Descendo a escadaria em frente ao Café (dessas típicas escadarias de Pinheiros, com mosaicos de cacos de azulejos, muito legais) e vi algo que fez valer a hora do almoço.

 

Uma mulher, com um visual bem jovem... sabe aquele lance de roupa básica, porém criativa, com uns toques de acessórios e outras coisinhas do tipo das quais não entendo lhufas? Bem, ela tava passando pra subir a escadaria, quando, lá do alto, despencou uma florzinha amarela bem pequena, de uma planta que descia pelo muro, da rua de cima. A flor caiu no chão. A moça parou, olhou por um breve instante... abaixou-se, resgatou a frágil e delicada florzinha do cimento áspero. Abriu a agenda e colocou-a entre as páginas. E seguiu pra escada, com um sorriso.

 

Coisa simples, mas tão gostosa de ver!

 

Em alguns momentos, no meio da correria escrita naquela agenda, ela topará com a florzinha amarela. Só isso, bem simples, dará a ela uns segundos de alívio, a lembrança daquele dia em que ela parou o que fazia só pra pegar uma florzinha do chão. Aí, voltará os olhos pros compromissos e prazos escritos, mais leve com alguns segundos em que recarregou as baterias. Simples assim.

 

Deus é generoso nos dando estes momentos.  Aí alguém lerá isso e pensará que não tenho nada pra fazer, não tenho no que pensar. Tenho, e muito. Por isso mesmo, momentos aparentemente sem importância e bobos como aquele valem tanto. São um refresco para a mente e a alma. Isso, pra quem sabe enxergar.

-Saboreado por: mc às 09h53
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Noite de sábado e aquela vontade de comer algo bem feito, se possível diferente, em um lugar legal. Não estava  fim de ir longe. Felizmente, opções em restaurantes não faltam em meu bairro. Mas...

 

Fui à costumeira cantina, que não deve nada às do Bixiga. O dono já me olhou com uma cara... “Ih, dá uma olhada! Ta cheio, mas vem cá que dou um jeito e acho um lugar para você.” Achou... após uns 30 minutos, notei que a mesa em frente, à qual sentava uma família, ainda estava bebericando vinho e beliscando o pão italiano. Se o pedido deles demorava assim e eu nem havia feito o meu... a falta de paciência ganhou e parti pra rua.

 

Lembrei-me de outra que é uma das cantinas mais tradicionais de Sampa, na minha rua. Muito bacana, tipo um porão à luz de velas. Gostei do lugar, ambiente bacana, gente boa. Abri o cardápio já salivando... e ficou nisso: “Não aceitamos cartões de débito ou crédito.” Bem-vinda ao século 21, cantina... Como tenho a péssima mania de andar quase sempre sem dinheiro na carteira, justamente por causa dos ditos cartões (até banca de revista aceita, pô!), fazer o quê... Rua de novo.

 

Subi mais um pouco a mesma rua até um pub pretensamente irlandês. Não me animou.

 

Fiquei pensando na noite agradável. Caminhar estava muito bom, mas eu estava com uma fome daquelas! Até que me lembrei de um restaurantezinho que abriu recentemente na Francisco Leitão. O tipo de lugar bacana, simples e sofisticado ao mesmo tempo, o ideal. Fui até lá e chequei o cardápio na entrada. Opções bacanas a preços razoáveis. Entrei. La Marie.

 

Gostoso, agradável, com um jazz levinho tocando ao fundo. O lugar é pequenininho, não deve ter mais de 10x10m. Mas muito bacana justamente por isso, aconchegante. Tudo branquinho com detalhes discretos. Você vê a cozinha pela vitrine. Escolhi uma boa peça de bife de açougueiro mal passada, como deve ser. Um molho de champignons no ponto, misturado ao caldo da própria carne tenra quando partida. Um toque de azeite de limão foi provindencial. O mais bacana: o chef , com toda pinta de dono do lugar, saía da cozinha e vinha papear em nossas mesas. Elogiou minha escolha, o ponto certo da carne que eu pedi e o toque de azeite que dei. Quantidade certa: não fiquei estufado ou insatisfeito. Confesso que não pedi vinho com medo do preço (desconfiem de cardápios sem preço). Mas que tinha tudo a ver, tinha.

 

Na sobremesa, algo que eu estava há mais de um mês a fim de comer: um creme brulé como tem que ser: quase geladinho, com a camada de açúcar caramelada pelo maçarico, na hora. Ao ver o creme, o chef cochichou algo no balcão. Veio com uma taça de vinho branco: “Tá aqui uma homenagem a quem sabe escolher tão bem. Você acertou os pedidos e este vai por conta da casa. É um vinho Maria, próprio pra sobremesa. Seu sabor fica mais acentuado com sobremesas à base de chocolate, mas cai muito bem com o que você pediu.” Geladinho, TUDO a ver com o creme! Uma delícia, na quantidade certa, já que não bebo muito.

 

Eu pensava o quanto estava custando pouco estar tão feliz, em um lugar tão gostoso. Feliz mesmo, com sorriso e tudo. Preço razoável para Sampa.

 

Paguei, agradeci ao chef  e equipe e saí, de novo caminhando. Quanto mais perto de casa chegava, mais retardava os passos. A noite estava muito gostosa para uma caminhada e eu queria estica-la ao máximo, embora estivesse com muito sono.

 

Em casa, quis ligar par uma amiga e compartilhar a descoberta do novo restaurante. Celular desligado. Pra bom entendedor, meia chamada basta. Curti um filminho no DVD o quanto agüentei e rumei pra cama, que é lugar quente. Adormeci logo.

 

Merecia um presentinho de aniversário desses, simples e gostoso, como a vida deve ser.



-Saboreado por: mc às 09h20
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É interessante como todos procuram alguém. Mais interessante como muitos idealizam certo tipo de pessoa em suas mentes e tentam, a todo custo, achar alguém que se encaixe nesses moldes na vida real. De repente, aquela que parecia a pessoa ideal não preenche este ou aquele requisito e paga o pato: a separação. Alguém inventou que outro alguém tinha que ser assim e assado. O outro alguém não é e dança. Algo contra conhecer a pessoa aos poucos, descobrindo qualidades e defeitos? A propósito, defeitos, todos os têm.

 

Eu já ouvi de uma pessoa: “Eu precisava de alguém que me ouvisse e você não estava me ouvindo ultimamente, aí encontrei outro que ouvia”. Recorde mundial em cara-de-pau. Então, mostrou que nunca foi de mim que gostava, e sim de algo que eu fazia. Tanto faz quem seja, se faz o que a pessoa quer, tudo bem? Dane-se se é o Marcelo, o Chico, o João, o Zé... Eu sempre ouvia a todo mundo que precisava, não só ela. Só que chegou um momento em que eu é que precisava de colo, pela primeira vez em minha vida (mesmo que eu não admitisse). E o único colo que eu queria me deu as costas, quando eu mais precisava.

 

É do tipo de pessoa que não te dá valor, e sim ao que você faz. Assim, por mais que eu goste de alguém, desse jeito nunca mais quero. As pessoas têm defeitos, mas não deixam de ser elas mesmas. Alguns são vencidos, outros não influem nada no que ela é. Essa pessoa que citei, e pretendo não mais citar, tinha defeitos não assumidos e outros assumidos, enormes. Aos olhos de alguns, até graves. E nunca a amei menos por causa disso. O que eu sentia por ela nunca retrocedeu um centímetro por causa de falhas. Gostava da pessoa, não só do que ela fazia por e para mim.

 

Mostrou egoísmo, o tal do “ser feliz, custe o que custar” não existe... pois a vida sempre cobra esse custo. Ninguém pode ser feliz de verdade em cima da infelicidade alheia. Esse tipo de “felicidade’ não me serve. Tem gente que se satisfaz em somente estar contente naquele momento, e confunde isso com felicidade. Fica sem e persegue, usando armas sujas até, outro momento contente, achando que tá feliz de novo. Felicidade de verdade também tem tristezas em seu meio, pequenas ou grandes, mas não deixa de ser felicidade. Tudo tem um preço nessa vida.

 

Depois as coisas ficaram ainda piores, perdi o chão sob meus pés. Sozinho numa cidade grande e devoradora como Sampa, longe da família, sem emprego na época. Só Papai do Céu nessa hora mesmo... e hoje a vida vale de novo a pena. Na época, perdi tudo o que tinha conquistado na vida e que eu mais amava. Deus é tão grande que, dois anos depois, quase tudo voltou, e bem melhor do que o que eu havia perdido! Tudo bem que teve muita luta nesse ínterim. Muita batalha, muita dificuldade. Mas muita persistência que só hoje vejo. Entendo como algumas pessoas se entregam a vícios nesses momentos, procurando uma fuga. Não caí nesses vícios, graças a Deus, mas posso entender quem cai. É preciso mais força para não fazer certas coisas que para fazê-las.

 

(continua abaixo... #@%*#)



-Saboreado por: mc às 09h41
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Quem sou eu para, do alto de um pedestal, dizer que quero uma pessoa assim ou assada, obrigando alguém a pôr essa carga sobre os ombros, de corresponder a algo que só existe em minha mente? É muita prepotência de quem pensa assim...

 

Em relacionamentos futuros, não tenho a ilusão de que tudo será perfeito. Quem estiver comigo terá falhas, atitudes bobas, nós discutiremos, brigaremos até. Eu também tenho meus defeitos e falhas. E essas coisas geram discordâncias, brigas...

 

E tudo ficará bem depois! Até os casais da ficção brigam homericamente e depois, na reconciliação, ficam bem. E MUITO bem. Claro que eu não tou falando de um cataclismo, de um acontecimento extraordinariamente ruim.

 

O convívio traz essas coisas, em qualquer âmbito. Nunca, em nenhum aspecto, alguém me prometeu que a vida seria fácil. Nunca foi fácil mesmo, mas sempre foi boa. Além disso, as coisas mais valiosas são as que mais dão trabalho. E sempre valeu a pena lutar por elas.

 

Já briguei, com e sem razão. E nunca deixei de dar carinho logo depois por causa disso.  Morei 3 anos com alguém, com brigas e defeitos entre nós. Mesmo assim, continuo achando que foi a melhor experiência que já tive na vida. Daí é que veio aquele pensamento com o qual brinquei (embora falando sério) outro dia, que prefiro 10 minutos de casado a 10 anos de solteiro, solto por aí. Com briga e tudo, sem ilusão. Tudo leva tempo nessa vida. É aquela história: não existe príncipe encantado. No máximo, você tem que “beijar o sapo certo”.

 

 



-Saboreado por: mc às 09h41
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Ontem amanheci no Aeroporto Santos Dumont, no Rio. Dia lindíssimo, vôo tranqüilo. Resolvi dar uma voltinha por ali mesmo, já que estava adiantado para encontrar quem iria me buscar. O aeroporto é bonitinho, bem pequeno, agradável quando não está lotado. O saguão é aberto, o que facilita o acesso de muita gente que não vai ali para pegar avião... Ao contrário do que estamos acostumados em relação ao meu povo do Rio, a galera que trabalha ali estava bem antipática ontem, pelo menos TODOS os que me atenderam, na cafeteria, nas lojas, no balcão da companhia aérea... Horas antes, em São Paulo, atenderam-me muito bem, como sempre.

 

Como acordei muito cedo, só o cafezinho do avião não teve cafeína suficiente pra me manter em vigília. Fui à cafeteria do aeroporto e pedi um hipermegasuperübberexpresso... duplo. Veio um xicrão do tamanho dum balde! Eu tinha tempo mesmo, tudo bem! Estava sorvendo meu café devagarinho e pensando em engraxar os sapatos nuns caras que ficam lá no canto, devidamente cadastrados, com cadeirões e tudo. Lembrei-me do Walter Salles. Ele estava também ali no Santos Dumont quando um garoto engraxate lhe pediu grana para um sanduíche e atiçou a curiosidade do diretor. O menino era o Vinícius de Oliveira, que acabou estrelando o Central do Brasil e se tornou conhecido em todo o mundo.

 

Pensava exatamente nisso quando olhei um outro menino engraxate, com roupa social e tudo, recebendo a recusa de um quase cliente em potencial. A roupa estava passadinha, certinha, mas ele havia sentado no chão e a calça bege estava suja atrás. Procurou outros e sumiu. De repente, me aparece um outro garoto com sua caixinha de engraxate. Escurinho, bem encorpado, com uma camiseta sem mangas e bermuda, com um desses colares de artesanato, vendidos em feiras-hippie. “Vai graxa, senhor?” “Quanto é?” “Quanto o senhor quiser contribuir.” Mandei fazer. Sapato novo, nunca antes engraxado, merecia um profissional.

 

O rapaz, que devia ter uns 15 ou 16 anos, fazia o serviço com capricho. Mas olhava a toda hora pra todos os lados, o que me fez perguntar o que estava querendo ver. “É que um segurança pode me pegar. É proibido engraxar aqui dentro, mas na rua eu não consegui engraxar nada e tenho que voltar pra casa daqui a pouco. Tinha que conseguir dinheiro pro ônibus, aí eu entrei.” Puxou uma flanela da caixnha e deixou cair umas três moedinhas pequenas, que ficaram no chão. O trabalho era a prioridade. Depois ele pegaria.

 

Eu tava curtindo ver o trabalho bem realizado (aprecio demais isso, seja que trabalho for) quando um segurança de quepe chegou para o garoto. “Três minutinhos, falou? Três minutos.” Repreendeu o menino, mas numa boa. Outro trabalho bem feito e apreciado por mim. O primeiro funcionário