Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Camila Bianchi - Divagando
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







Sem planos

 

Certas coisinhas não planejadas salvam um dia propenso a nada.

 

Sábado eu estava louco pra dar uma esticada na cama, tirar o atraso do sono e meu corpo, que ainda se adapta, aos poucos, ao horário de verão. Pro resto do dia, tudo ok, mas pra dormir e acordar ainda tô no horário antigo...

Ledo engano... durante a semana, marcamos, eu e alguns colegas, de ir ao Centro Cultural São Paulo pra organizar um trabalho da tal matéria Estudos Interdisciplinares, que nem nós, os professores ou a faculdade entendemos ainda pra que serve, porque de interdisciplinar nunca teve nada... Bem... Esperei mais que o esperado. Os dois colegas atrasaram-se, mas chegaram. Enquanto isso, eu fiquei na Gibiteca lendo um Super-Homem qualquer (Versus Predador... todo mundo é versus esse bicho, caramba!). Chegaram, e tomamos as rédeas de um trabalho que não servirá para nada além de ocupar um tempo que não temos. Mas será feito. Já tá sendo.

Well... Digressões à parte, ambos os colegas (o Frank e o Bruder) confessaram a vergonha de nunca terem pisado no CCSP, que descobri quando ainda nem morava em Sampa. Ficaram felizes pela descoberta (e surpresos). Dali, cada um seguiria pra casa, para compromissos domésticos. Eu teria que fazer hora, pois a diarista tava lá em casa fazendo aquilo parecer uma moradia.

Nenhum dos dois foi pra casa, resolvemos almoçar juntos e prolongar uma reunião bem produtiva e agradável. No restaurante do CCSP, legal, mas queríamos outra coisa. Sugeri o Black Dog da Paulista e rumamos pra lá. Muito cheio. Entramos no Rascal. Ótima escolha em todos os sentidos. Optamos pela pizza com chope mesmo. E que pizza aquele lugar tem!

Rolou um dos papos mais bacanas de toda a época de faculdade. Todos desfilamos nossa insatisfação com a dita-cuja e a vontade de nos transferirmos, que é quase unânime. Desânimo total, algo que mesmo os professores já comentam. Mas falamos de coisas agradáveis tb. O Frank pegou um lápis de cera e me desenhou no papel da mesa. Sacanagem... ficou igualzinho! Quis pegar depois, mas o garçom já havia jogado fora.

Depois nos despedimos, e fui fazer hora. Fui a uma sessão da minha contadora de histórias predileta, no meio da criançada na Fnac. Ri pra caramba, me diverti muito e recarreguei as baterias. Saí dali pra curtir o dia frio gostoso sem chuva na minha querida Paulista.

Engraçado... eu não sei onde termino eu e começa a Paulista... até hoje, embora não more mais ali, sinto um vínculo com aquele lugar que não consigo explicar.

Estávamos no penúltimo dia do Corredor Literário, um evento que, por uma semana, trouxe mais arte (do que já tem todos os dias) pra todos os órgãos culturais ou não da avenida. Teatro, poesia, livros... Tudo, tornando meu pedaço predileto de São Paulo mais bacana ainda. Entrei no Trianon e havia um labirinto de Runas. Nórdico, legal e desnecessário para mim, embora estivesse legal. Quem tem Deus não precisa disso. Mas curti o parque e retomei a calçada.

Estou completamente descompromissado com o cinema. Tanto, que a pergunta do mês é “já foi à Mostra?”... e a resposta do mês é “não”. E posso ir de graça... Como não escrevi nada sobre o festival, tô nem aí... Mas fui checar o Cine Bombril (bacana) e entrei no Clube da Mostra. Vi muitos conhecidos, abracei alguns. Foi meio triste ver o Cine Astor desmontado... mas logo virará outras salas. O tamanho do Astor impressionava, talvez o maior cinema em que já entrei.

De volta à rua, vi a decoração de Natal do Bank Boston sendo iniciada (tá ficando legal) e entrei no Center 3, já decorado. Passei no caixa eletrônico pra pegar uma graninha e saí. Chuva. Fina, mas chuva.

 

Fui pra casa feliz por não ter planejado porcaria nenhuma e tudo ter dado tão certo... Um sábado muito gostoso!

 

P.S.: Ficar no meio da criançada nas historinhas da Fnac faz a gente ficar com vontade de acreditar na vida de novo...



-Saboreado por: mc às 12h14
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Tá esperando o quê???

Há algo que vc quer ou precisa fazer há algum tempo (ou muito), e ainda não fez? Seja por empurrar com a barriga, ou falta de tempo mesmo...

 

Conselho de amigo? Faça uma lista e saia cumprindo todos estes “compromissos”. Seja consertar uma torneira, cortar ou pintar o cabelo, lavar aquela pilha de louças que já tá criando vida própria... Pode ser uma reles arrumação do guarda-roupa (jogando um bocado fora) ou um curso de alguma língua que você está pra começar há anos e até agora não deu o pontapé inicial. Vá àquele restaurante, barzinho, igreja, shopping, cidade próxima que você tá planejando faz tempo, e ainda não tomou vergonha pra ir. Limpe o “quarto de bagunças” (ou o seu mesmo, que pode estar uma bagunça). Compre aquele CD, DVD, aquela jaqueta de couro que não custam tanto, mas que você incrivelmente nunca comprou antes... Eu mesmo, até hoje, não conseguia explicar não ter um CD do 14-Bis... Comprei! Cara... 13 reais! Agora é o DVD do Cinema Paradiso o próximo da lista.

 

Da mais simples à mais importante atividade, dê um jeito e cumpra! A vida é uma só...

 

Faça! Cumpra! Ponha a mão na massa! Mesmo que seja a tal torneira pingando...

 

Aí você se perguntará: “Pô... tão simples... por que eu não fiz isso antes?”

 

Cumprindo estes objetivos, outros mais importantes irão na mesma fila, no vácuo.

 

Se  não fizer, ninguém fará por você... e o resultado é melhor do que imagina! Mesmo que seja arrumar o tal quarto de bagunças, o efeito da arrumação é em seu interior.

 

Comece neste final de semana mesmo!

 

E depois volte aqui pra dizer como você se sente melhor.



-Saboreado por: mc às 16h11
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O real motivo da ausência

Ontem cheguei ao cúmulo do estresse. De um estresse doido que já ta pra estourar há umas 3 semanas... Explodiu tudo ontem.

 

Realmente estou muitíssimo estressado, psicologicamente. Fisicamente, só tenho andado com um pouco de sono...

 

Explodi, mas onde e com quem tinha que ser. Não dá pra levar desaforo pra casa... Taí uma arte que ainda não aprendi direito...

 

Estou com o saco na lua em relação à faculdade. Tou doido pras provas fnais acontecerem logo e eu me ver livre daquilo lá por meses... Francamente, não tenho mais paciência com matérias pra encher lingüiça... Quanto às mais práticas, tudo bem. Mas há outras que você atravessa o semestre inteiro e não aprendeu absolutamente nada sobre nada! Meramente pra cumprir uma carga horária... O saco estourou!

 

Discuti, quase dei porrada, mas descarreguei tudo.

 

Em casa, tentei orar, fiz o que pude... Mas só sosseguei pegando minhas tintas de aeromodelismo pra pintar uns kits de soldados que tenho, umas figuras de ação. Eu ia me desfazer deles, mas um amigo me contou o segredo: ‘Enquanto você faz isso, não pensa em dinheiro, trabalho, faculdade, problemas...” Não é que ele tava certo?

 

Depois, acho que identifiquei o problema, que era uma bomba relógio que poderia ter feito estragos maiores. Pra minha sorte, não aconteceu.

 

Fui dormir o sono dos justos... felizmente!

 

Hoje, resolvi dar a volta por cima, pq o estresse já ocupou o tempo que tinha que ocupar. Logo cedo, fui no aniversário do Mauricio lá no Parque da Mônica, dar um abraço nele. 70 anos! Com cara de 50 e poucos, e olhe lá! O cara nem sabe, mas algo que me contou outro dia me ensinou algo que me servirá pra toda vida, e pras mudanças que começam a despontar nela.

 

Mas o que fez bem mesmo foi ver a perfeita zona da criançada no parquinho, que eu ainda não conhecia por dentro. Gente! Algazarra total! Eles tiram os tênis e vão brincar de meias, ou descalços. Liberdade total!!!! Foi a primeira vez que sorri hoje, mas foi com gosto, com vontade! Em uma parte em que pude chegar perto delas, também aproveitei pra aprontar um pouco. Uma bagunça deliciosa!

 

Pra completar a “desintoxicação”, fui almoçar com tempo e paciência. Há um restaurantezinho aqui na esquina da editora que é um charme só! Simples, mas com um toque de sofisticação, bem a cara da Vila Madalena mesmo. Sabe esses sobradinhos adaptados, em que o antigo, o moderno e a simplicidade brasileiríssima convivem?

 

Mas outro dia eu escrevo um post especial só pro restaurante, como faço com outros. O negócio é que fui bem servido, bem atendido e acabei comendo o dobro do que pensava. Pela  primeira vez, em semanas, almocei com o apetite habitual.

 

Era tudo o que eu precisava. Novo fôlego. Inteiro de novo.

 

Chegando aqui, mais livros. Inclusive alguns que eu queria ler faz tempo.

 

E sigo adiante, pra ser feliz na vida.

-Saboreado por: mc às 15h03
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Sinal de vida

Não tenho postado por falta de tempo, entre faculdade e trabalho. Minha editora teve problemas familiares graves e eu estava meio que sozinho, mas dei conta. Pelo menos acho que sim.

 

Mas, nessa correria, houve coisas boas. Passei o dia todo hoje fazendo algo bem bacana: escrevi o tempo todo sobre livros os mais diversos! O dia inteirinho! Pra homem, mulher, criança, idosos... tudo quanto é tipo de assunto, e vem muito mais por aí. Senti-me na época em que minha família era cliente do Círculo do Livro, uma editora que vendia a quem fosse sócio de uma espécie de clube. Você recebia a Revista do Livro todos os meses com muitos, muitos lançamentos de primeira linha (quanto ao conteúdo e quanto ao acabamento), a preços muito bons. Sua única obrigação era comprar pelo menos um livro por mês ou bimestre, não me lembro. Se não comprasse nenhum, eles mandariam automaticamente o indicado daquela edição da revista (que sempre era bom). Meus pais sempre compravam mais de um.

 

Tanto quanto os livros, de todos os gêneros e origens, eu gostava de ler a revista. Muito bem diagramada e bem escrita. Ler sobre os livros era tão bom quanto os próprios. Senti-me o redator dela hoje. Boas lembranças.

 

Agora, ir pra faculdade para quatro aulas-porre (não necessariamente as aulas, mas o assunto) de radiojornalismo... Não tenho mais paciência pra certas coisas, principalmente aquelas que alguém inventa de achar úteis para você, quando só são para eles...

 

Mas, só pelos livros, já valeu o dia!



-Saboreado por: mc às 15h50
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carinho por correspondência

Bem... desde que, não sei porque, inventei de montar este blog (eu... quem diria...), ele me deu muitas alegrias, muitas coisas boas que hoje fazem parte do meu dia-a-dia. Principalmente os amigos e amigos em potencial que vieram através daqui. Aí um amigo vem, vê um link de outro, vai no blog dele, faz amizade e começa a fazer sentido essa rede toda!

 

Um dia, sei lá como, a Ana Cris apareceu aqui. Através do endereço do blog dela no comentário que deixou, fui lá e gostei. Um dia, falei dela e outros freqüentadores foram lá e, inevitavelmente, fizeram amizade com a “menina-mulher” (dêem um pulinho lá que vocês vão entender).

 

Eis que entra a Barbara na história... Se vocês forem, ou já foram, ao blog da Ana, entenderão um pouquinho do tamanho do coração da menina. Essa guria me surpreende mais e mais...

 

Ba, “Tia Ba”... hoje, todo o carinho do Too Much Coffee é pra vc!



-Saboreado por: mc às 10h53
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A epopéia do computador enclausurado

Meu computador ficou uns dois anos desligado. Na caixa mesmo! Pela primeira vez eu tinha um computador realmente decente em casa e o coitado tava na clausura... Mudei-me para Pinheiros há pouco mais de 1 ano e meio e resolvi ligá-lo. Tudo nos conformes: comprei antivírus novinho, estabilizador... E? Deu pau.

 

Disseram ser um maldito vírus, invenção de um desocupado que eu gostaria de torturar até a morte, tipo alfinete debaixo da unha, choque lá nas coisas... Fora as próprias empresas de antivírus que soltam alguns no mercado e... Bem, teorias da conspiração à parte, o bicho parou de funcionar. Como fico o dia inteirinho na frente de uma tela, mais a noite toda na faculdade na mesma situação, em casa eu não queria nem saber de ver computador na minha frente. A impressora, coitada, que não dever ter chegado a imprimir 10 folhas em toda a sua vida, tá enclausurada na caixa tb... Portanto, um computador muitíssimo bom e caro não passava de um peso para papel muito chique...

 

Sabe como é... pais morando longe, facilita... embora eu prefira o telefone. Quem sabe um IP-Phone da vida?

 

Bem... depois de mais de um ano tentando que o técnico da editora fosse lá em casa, tomei vergonha na cara, peguei o gabinete (que é pequenininho, pois usa peças de laptop) e levei numa assistência que me recomendaram. No dia seguinte, um telefonema: “Tá pronto, pode vir pegar”.

 

Cheguei em casa na hora do almoço com a maquininha, liguei todo feliz e... nada de o drive de CD funcionar... a gaveta simplesmente não abria. Calculei que esqueceram de plugar algo lá dentro e tava pronto pra abrir o gabinete, quando me lembrei de que não tenho chaves de fenda anti-estáticas...

 

Lá fui eu de novo com aquele treco pesado debaixo do braço... Tudo bem, resolveram numa boa e pediram desculpas.

 

Ontem à noite, todo feliz de novo, fui reconfigurar o bicho. Apanhei feito prisioneiro iraquiano nas mãos dos ianques... Tava desistindo... Na TV aberta já estavam exibindo Gilmore Girls, altas horas da madruga... Quando achei que engambelaria a máquina com uma estratégia maluca que... deu certo! De  0 à esquerda em informática passei a 0,5, estratosférica evolução em se falando do rapaz aqui.

 

O melhor de tudo? Gastei 10 vezes menos do que me cobrariam se fossem em casa.

 

Agora, não mais um “excluído digital” doméstico, quem sabe não rola uns posts em finais de semana tb? Se bem que eu corro à beça de computador nas horas de folga... A conexão é discada, pq não fico em casa nunca e acho q não vale pagar por uma banda larga agora. Mas... uma coisa de cada vez! Pelo menos já facilita pros trabalhos da faculdade.

 

E, como na hora da compra exageramos na configuração, o aparelho não está nada obsoleto! “Um avião”, como diz um grande amigo.

 

Só de não ter que levá-lo ao conserto mais uma vez, já tá ótimo!

 

Ah, tenho que arrumar um rack urgentemente, cadeira com rodinhas, essas coisas...

-Saboreado por: mc às 10h32
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Ele já amou um dia. Muito. Mais do que imaginou um dia amar. Descobriu-se feliz por isso, pois achava que a melhor parte da vida tinha sido a infância. Mas viu que ser adulto e viver ao lado de quem amava dava um novo sentido à vida que ele já amava antes. Amou mais ainda.

 

Mas perdeu seu amor. Não o amor próprio, mas quem ele amava se foi... Não importa como nem para onde. Apenas... foi.

 

De repente, estava privado de tudo o que descobriu ser tão importante para ele quanto sua própria vida. Não podia mais usar todo aquele carinho que estava dentro dele (e lá dentro tinha muito, muito mais). Era um carinho diferente dos outros, que tinha endereço certo para toda uma vida, e aquele ele não podia mais usar... Não podia mais dormir ao lado da amada, tinha toda aquela grande cama só para ele, o que doía à noite e pela manhã. Desfez-se da cama. O cheiro dela ainda era muito presente ali. Doeu-lhe ter que demolir o pouco que haviam construído juntos, e que ela deixara com tão pouco caso onde ambos moravam até poucos dias antes. A cada peça de roupa, cada bicho de pelúcia, cada lembrança... Doía como um luto.

 

Decepções piores vieram. Muito mais dor do que ele pensava um dia ter.

 

O tempo passou. Não que isso servisse de consolo...

 

Mas não amou mais ninguém. Não sabia se era por ter endurecido o coração, ou por não ser mais capaz... Mas aquele carinho todo estava ali, aflorando. A cada vez que vinha, ele dava um jeito de apagá-lo, jogá-lo fora, esquecê-lo prestando atenção a outras coisas menos importantes.

 

Até um dia em que o carinho transbordou, de tão preso por tanto tempo. E ele teve que deixá-lo sair. Não mais mandava no sentimento, ou era capaz de refreá-lo.

 

-          Mas... para que serve, se estou sozinho? Não estou apaixonado e acho que não quero ficar...

 

O sentimento falou mais alto ainda. Até que aflorou junto um sorriso... Sentiu-se vivo como não se sentia por muito tempo. Anos, para ser mais exato...

 

De repente, ele entendeu que estava, sim, apaixonado. E o objeto de tanto carinho estava ali, à sua frente. Ficou feliz de poder expressar aquele sentimento que ele achava estar morto...

 

Viu o sorriso que o reflexo no vidro da vitrine da grande livraria lhe devolvia. Admirou-se sinceramente, sorrindo de forma espontânea. Estava feliz com o que constatou. Acordou do longo pesadelo...

 

Descobriu que, apaixonado por ele mesmo pela segunda vez na vida, mas de uma forma diferente...

 

...era capaz de amar de novo.



-Saboreado por: mc às 16h02
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Ela passeava na hora do almoço que estava no finzinho, indo para a empresa. Cortou caminho pela pracinha muito aprazível naquele dia de céu azul de primavera. Os raios do sol passavam pelas frestas da copa da grande árvore fazendo desenhos no chão.

 

Num banco ela viu o amigo escritor de bermudas e tênis sem meias, com chapéu de brim de abas caídas e uma camiseta branca folgada e confortável. No ouvido um fone cujo fio ia até o bolso, onde estava o diminuto aparelho de mp3. Pela cara dele, ouvia algo leve e agradável.

 

Ela chegou perto e ele a recebeu com um sorriso, sem dizer nada. A moça quebrou o silêncio de fora dos fones:

 

-         Que que cê tá fazendo aí?

      -     Tou me inspirando!

-Saboreado por: mc às 12h50
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Paredes, tremei!

 

 

Arrumei um brinquedo novo. É... admito que “a diferença entre um homem e um menino é o preço dos seus brinquedos”, como diz o velho chavão. Mas o meu não tem nada de caro e de brinquedo, embora eu me divirta com ele.

 

É uma... furadeira! Com brocas e puas e lixas e... Muita coisa! Eu precisava instalar um depurador na cozinha, mais um suporte para os talheres e um daqueles pra pôr papel-toalha, folha de alumínio e filme selador. Desci e fui ao porteiro para ver se o condomínio tinha uma furadeira, como eu fazia em meu prédio antigo lá na Paulista. O cara ficou me olhando como se eu tivesse chegado em um disco voador e dito outro chavão: “Leve-me ao seu líder”.  Veio com aquela “boa vontade”, dizendo que “ah, o zeladô tem e cobra de quem quer usar”.

 

Eu já sabia que o pessoal era picareta, fiquei fulo e nem subi de novo. Dali fui pra rua. Era feriado e fui colecionando portas de aço fechadas pela avenida afora. Mas “sou brasileiro e não desisto nunca” (hoje tá brabo de originalidade, não?), e cheguei a uma graaaande loja cheia de filiais pelo país afora, que faz propaganda de 2 em 2 segundos em todos os canais de TV e... Você já sabe qualé.

 

Rodei tudo, o pessoal com aquela cara de “é feriado e eu tô aqui”. Até que eu fiz que ia derrubar um liquidificador. Apareceram 3 pra me atender! Simples, não? Perguntei por furadeira e uma moça, com mais má vontade que tudo, me levou à dita-cuja. Olhei os 4 modelos, escolhi... “Dá pra ligar e testar ” “Ah... a tomada fica longe e... a força tá ‘meia’ esquisita...” “Tá... esquece...eu gostei dessa, vou levar. E as brocas?” “ ?????  Broca! Aquele negócio que a gente põe na ponta da máquina e fura, aí ela vai rodando e... entendeu?” “ Ah... tem não...” “Ma que... vc tem a máquina mas não tem broca?” Deixei a moça lá e só não mandei ela furar o que ela quisesse em sua própria anatomia pq não tinha broca mesmo...

 

Eu andando pela rua de novo...Até que, dentre as nuvens negras, veio um raio de sol resplandecente que iluminou uma fachada: Peg & Faça. Um nome bem de acordo com meu espírito do dia, de não depender de ninguém. Lá dentro, uma orgia de furadeiras, brocas, escovas, lixas... de tudo quanto era cor e preço. Escolhi uma americana, nem barata nem cara, comprei uns joguinhos de brocas e fui pra casa todo feliz. Fiz a feira!

 

Tá bom que não permitem certos serviços nos fins de semana, mas dane-se! Pus a maquininha pra funcionar feliz da vida. Até hoje, nenhum vizinho reclamou. Também, uns furinhos bestas daqueles... Resumo da ópera: depurador novinho instalado, suporte de talheres jóia, com umas peças em inox e de nylon bem legais pras minhas panelas queridas. Ah, e o dos papéis tb.

 

Já fico olhando pras paredes, coitadas, imaginando "aqui fica legal um quadro, ali um pôster... um espelho... aquele suporte pra CD's que vi na Tok & Stock... Hmmm! Aquele varal retrátil lá do D&D..."

 

Ah, na próxima folga, mudarei uma tomada de lugar pra instalar a máquina de lavar roupas no outro canto da área de serviço pra ganhar espaço. Na mesma loja, comprei canaletas, fios elétricos, parafusos, buchas, tomada tripla... Já tou salivando pensando em minha furadeira pra esburacar o apartamento todo! Alguém precisa furar alguma coisa aí?



-Saboreado por: mc às 10h18
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Meus tempos de "traça"

Já fui fominha em relação à leitura. De qualquer tipo. Na época do 2º grau, era uma loucura... o que pintasse, eu traçava. Tou falando de mais ou menos  7 a 10 livros por semana (sobre tudo e mais um pouco, de Edgar Alan Poe, passando por Rubem Braga, até Dostoievski, Platão...), pelo menos umas 5 revistas (Veja, Imprensa e o que mais aparecesse) e quadrinhos até cair pra trás (X-Men, SandmanVingadores, Moebius...).

 

Até aí, novidade nenhuma pra quem gosta de ler e sempre foi incentivado a isso em casa. Escola nenhuma fez diferença em minha vida sobre isso. Sempre tem um besta que vem e “ah, você escreve muito e lê bastante porque cursou Direito”...NADA a ver! Taí algo em minha vida que NUNCA me serviu pra nada... O que fez diferença não foi escola nenhuma. Foram meus pais. Sempre nos incentivaram em casa a ler. Numa época sem internet, não faltavam livros (éramos sócios do saudoso Círculo do Livro, ‘ótemo’, como diz a Lili), revistas de montão, jornais... o que fosse de papel e tivesse texto, papai e mamãe compravam. Tanto era legal que, no vestibular, aproveitei muito mais o que li por fora do que o que aprendi na escola... dela mesma, não caiu grande coisa nas provas...

 

Mas o motivo de o assunto ter vindo à baila é que fico pensando: eu lia a torto e a direito, e mesmo assim curtia a vida pra caramba! Saía com os amigos e fazíamos a maior bagunça, íamos a todas as festas que apareciam (até aquelas pras quais não éramos convidados), eu assistia a todos os filmes lançados, descansava.... enfim, não deixava de fazer nada, e tinha tempo pra ler essa batelada de coisas! Lia de cabo a rabo uns 3 jornais diários (isso não é nada, papai devorava 5 lá no Rio). Eram uns 2 livros na mochila, alguns na cabeceira da cama, outros espalhados pela casa, e pelo menos umas 60 revistas em quadrinhos, isso por semana... Como eu pegava muita coisa em bibliotecas e tinha prazo pra devolver, me acostumei a ler bem rápido (aproveitando o que lia, claro). E olha que eu ainda tinha o tempo da escola, do inglês e de outros cursos bestas... Acho que nunca li tanto na vida. Justamente nessa época tive que começar a usar óculos... não deve ter sido por acaso.

 

Hoje? Bem... tou lendo 2 livros. Há um mês! Ou dois! Revista? Folheio e “pego” só o que me interessa na biblioteca da faculdade. Filmes? Tá... e olha que já vivi deles... Jornal? Tá bom... vai nessa... só uma coisinha ou outra catada aqui e ali.

 

Caramba! Como é que eu conseguia tempo pra ler aquilo tudo? Nem imagino... Hoje, mal e mal consigo tempo pra um trabalho ou outro da faculdade (que eu odeio fazer...).

 

Cadê aquela vontade toda?  O tempo, onde foi parar, meu Deus?

-Saboreado por: mc às 09h51
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Agora a moda é ser übersexual...

 Nem             

 nem ...

 

Após a difusão do termo “metrossexual”, ou seja, homens mais preocupados com a aparência e com etiqueta, inventaram o “übersexual”. “Über” (não sei se é assim mesmo que se escreve...) é o equivalente alemão ao nosso “super”, “acima da média”. O tal nome novo indica um homem mais voltado ao padrão tradicional que o termo anterior, do cara que se preocupa com grifes, depilações e cremes para a pele...

 

Em tempo: ninguém aqui tá julgando. Cada qual com suas manias.

 

Quer dizer que, de simplesmente homens, quiseram forçar uma tendência mais narcisista e o próximo passo evolutivo é sermos “super-homens”. Não é exatamente isso, embora essas terminologias que inventam não me convençam muito de sua necessidade. Não é nada tão Nietzsche assim, ou relativo ao nosso colega de Smallville, Kansas. É simplesmente um retorno do homem ao modo de ser tradicional. Um resgate de simplesmente ser homem e pronto, se imposições consumistas ao extremo.

 

Ironicamente, o novo termo foi inventado pelos mesmos criadores do anterior, metrossexual, que acabaram de lançar o livro The Future of Men. Os autores são tidos como gurus publicitários e querem criar uma nova tendência... voltamos ao dinheiro, é claro. Será que a homarada não agüentou a pressão de ter que se cuidar tanto (algo para o que muitas mulheres têm uma facilidade incrível) e resolveu voltar atrás?

 

Novamente saliento que não tenho nada contra, em relação a ambos os sexos. Legal é não pecar nem pela falta, tampouco pelo excesso. Equilíbrio! Nem ser fanático pela aparência, nem ausência total de cuidados.

 

Bem, o metrossexual saiu de moda. Como não ligo pra moda, legal pra mim, pois nunca teria paciência pra ser um deles. Não tenho a menor vontade de me render a creminhos, roupas assim e assado (embora não ande necessariamente mal vestido), ficar sei lá quanto tempo num salão fazendo sei lá o que no cabelo... Segundo a imprensa, está de volta a imagem mais clássica do homem. A meu ver, ela nunca desapareceu. Tava por aí, se não viam é porque não queriam. 

(continua no post abaixo)



-Saboreado por: mc às 11h23
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Segundo os autores do livro, a virilidade do überman não se refere a intensa atividade sexual, mas apenas a uma recuperação da masculinidade perdida nos últimos tempos. O tradicional seria um homem confiante sem ser metido a besta. Embora tenha estilo esteticamente falando, não é escravo dele, sem excessos. Busca a qualidade em todos os aspectos da vida, e não só em um deles. Equilíbrio, repito. O cara tem que estar aberto ao  mundo em sua volta e tem que gostar do que faz, do que vive. Não aceita tantas imposições, tem que estar feliz com o que é.

 

Ah, e reconhece que precisa da mulher ao seu lado. Também dos filhos e amigos.

 

Não defendo padrões, pois tudo está em constante mudança no mundo. Mas é bem mais simples e gratificante estar no padrão que querem resgatar. Ser homem e pronto! Uma professora de história muito querida disse uma vez: “Ser macho, até bicho é. Qualquer sujeito pode ser. Ser homem é que eu quero ver!”

 

Tenho amigos mais vaidosos, até egocêntricos e narcisistas. Ta bom que enchem de vez em quando... querem pôr Armani pra ir à padaria da esquina... Tudo bem se arrumar direitinho, mas peraí, né?! Outros são tão esculachados... Mas gosto de todos eles.

 

Querem que o homem seja homem de novo, é isso? Eu também gostaria que muitas mulheres voltassem a ser mulheres. Antigamente, não era tido como “normal” uma mulher trabalhar fora, ter sucesso profissional, estudar. Hoje, felizmente, é. Mas algumas perdem a mão e deixam de ser mulheres. Podem muito bem ser ótimas profissionais, ganhar bem, ser independentes, mas continuando mulheres! Enfim, trocando em miúdos... homem ou mulher, tem muita gente por aí deixando de ser exatamente isso: gente.

 

O “novo” padrão que esses publicitários querem evocar (também em tempo, nada contra publicitários, caramba), é somente o cara ser mais gente e menos manequim de vitrine.

 

Até aí, cadê a novidade?

 



-Saboreado por: mc às 11h22
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À procura de outro cantinho

Bem... estou à caça de uma nova cafeteria, já que a Gi fechou. Passei lá ontem e vi o último sinal de que já era: ela tirou a porta de madeira de demolição da entrada. Deu no pé. Que seja feliz em suas novas paragens.

 

Procuro um que fique aqui por perto de casa e do trabalho. Há vários, mas... no que fica bem aqui embaixo da editora há uma galera legal, equipe jóia, mas o café... Há outra bem bonitinha e acolhedora uma rua abaixo daqui, mas o café e os salgados são sofríveis...

 

Mas há uma outra cafeteria bem pertinho de casa, super no caminho pra cá, com a qual sempre simpatizei. É mais clean, iluminada naturalmente, bem decorada. Fica no meio do que chamam Pinheiros Fashion, uma área do bairro que vende ótimas roupas femininas no atacado, mas que não tem, nem de longe, 1% da correria do Bom Retiro. Super tranqüilo.

 

Mas... embora o café seja muito bem tirado e eu goste do lugar, o ar blasée do casal de donos estraga... O cara tem tanta expressão quanto um poste de concreto. Parece entediado 24h por dia. Puxei conversa, ele até conversou, mas... sabe aquelas pessoas que forçam pra parecerem simpáticas (sem conseguir)? Já a mulher... aquele ar de “não conversem comigo, não vêem que sou superior?” Uma cliente que parece trabalhar numa das lojas vizinhas chegou toda disposta a conversar com ela, bater um papo enquanto sorvia um cafezinho com pão de queijo, mas dava pra notar sua insatisfação conversando com alguém que parecia procurar algo no teto com o nariz o tempo todo... A menina saiu com cara de “eu tentei”...

 

Os donos antigos eram mais bacanas, bem mais simpáticos, porém sem encher a paciência de quem queria ficar sentado quieto. Nem tão à terra, nem tão ao mar. Simpáticos sem intromissão, a não ser que você mesmo iniciasse o papo e se mostrasse disponível a isso.

 

Mais que o café, curto o ambiente de uma cafeteria. Como nos restaurantes sobre os quais relato aqui, em que a boa comida somente não basta. Fico dias inteiros sem tomar café, mas curtia ir à Gi sempre que podia. Era um lugarzinho que propiciava aqueles minutinhos de higiene mental tão necessários, e outrora tão comuns numa cidade.

 

Pena que o Bun Café, da Silvia, fica longe. Simpatia em fartura.

 

Ainda acredito em lugares em que os produtos que servem ou vendem têm boa qualidade, além de um atendimento bacana, daqueles que te fazem voltar. Se sou mal atendido, never more.

 

Bem... por enquanto é lá no Pinheiros Fashion mesmo. Quem sabe o gelo não se quebra com o tempo? Quem sabe, numa dessas caminhadas pelo bairro, encontro outro lugarzinho legal pra pôr café gostoso pra dentro e estresse pra fora? Pode parecer uma coisa à toa, mas uns minutinhos de descanso são imprescindíveis nesta abençoada correria toda.

 

Coisas da urbe...



-Saboreado por: mc às 09h15
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Da série "Sexo Oposto"

 

Homem, vendo uma mulher pensativa ou com uma expressão diferente da normal:

- O que você tem?

Mulher:

- Nada...

 

Por que, quando uma mulher diz esta palavra, ao contrário do que ela sugere, quer dizer TANTA coisa?

 

Rsrsrs!

-Saboreado por: mc às 10h27
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Sentimento atípico

É engraçado como arrumamos mil coisas pra fazer e movimentamos nosso dia de tal modo que não paramos pra pensar. Pensamos, sim, em coisas relativas ao que estamos fazendo. Trabalho, estudo e por aí afora. Mas... e quando você mesmo se pega de surpresa numa esquina do pensamento? Dá de cara contigo te encostando na parede e reivindicando “E aí? Qualé? Pode ser ou tá difícil?”

 

Ontem eu tive aulas chatas na faculdade. Não por causa do professor, que é bacana, mas do assunto. Tive que estudar o tal Dreamweaver e só quem é mais próximo de mim sabe o quanto detesto essas coisas de computador. Pra vcs terem uma idéia, tenho um gravador de CD há 3 anos e nem sabia disso. Podem xingar q eu mereço...

 

Mas, embora eu estivesse detestando a aula, tava numa boa, brincando com todo mundo, rindo e fazendo rir. Uma noite legal... até entrar no ônibus da faculdade pra ir pra casa. Lá, sentado numa escuridão do caramba, ouvindo músicas num volume baixinho...

 

De repente parei de pensar! De pensar em coisas banais como serviço, grana, faculdade... me encostei na parede, como disse acima. Parei de pensar e me vi num limbo que não sei explicar até agora!

 

Era uma sensação de vazio muito estranha, muito esquisita mesmo. Me pegou de surpresa, e de jeito...

 

Cheguei em casa achando que passaria, mas piorou. A TV não oferecia grande coisa, como sempre. Desliguei a dita-cuja e fiquei quieto, no escuro, sentado no canto do sofá, lá no cantinho da parede, encolhido e sentindo um silêncio que não era como aquele silêncio bom que senti outro dia, como citei em outro post. Estranho! Tava parecendo aquela cena do diálogo do Marlon Brando e do Martin Sheen no Apocalypse Now, na cabana escura. Só que sem Brando e Sheen. Era eu comigo mesmo, num diálogo (monólogo) improvisado.

 

Cansei-me daquele lance esquisito (sai, treco!) e saí daquele canto escuro. Fui me deitar. Orei e achei que dormiria logo depois. Embora cansado (parecia que o sono vinha, mas não vinha...), rolava pros lados e continuava a pensar sem pensar... Aquilo me incomodava a ponto de eu acender a luz e ler qualquer coisa pra espantar o pensamento, tentar me concentrar no que lia. Três revistas depois, vi que tava na mesma. Achei no fundo do armário umas revistas antigas e li... e nem me lembro do que li. Demorei, mas pelo menos dormi.

 

Engraçado... eu tenho estado bem. Muito bem. Mas desta vez não consegui interpretar o tal silêncio ruim. Essa ausência de propósito no pensar me incomodou. Muito.

 

Não me sinto no direito de reclamar de nada, por tudo o que Deus me concede. Tem gente por aí que tem muito mais razão pra reclamar e nem assim o faz. Não posso reclamar da vida.

 

Tou legal agora. Mas amanhã é feriado (e não tem post).

 

Mas não gostei.

 

Um vazio tão grande, como poucas vezes senti na vida... Quase chegava a doer...

 

O que tá acontecendo, hein? Muito estranho...



-Saboreado por: mc às 09h52
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Breakfast-mobile

Estava eu em minha caminhada matinal por Pinheiros rumo ao trabalho, pensando exatamente nisso... no quanto valeu morar pertinho do serviço e melhorar minha qualidade de vida na urbe. Nunca me arrependi. Se bem que já tou inventando de acordar mais cedo pra fazer um curso aí...

 

Via o pessoal nos carros, na avassaladora maioria sozinhos.... Gente, uma pessoa só em cada carro, aumentando essa cacetada de automóveis que há nessa cidade... Não é à toa que o mundo inteiro pirou por causa da poluição. Carros viraram escritório, dormitório pra quem não tá dirigindo (ás vezes pra quem tá), sala de estudo no intervalo do semáforo, salão de beleza... Haja!

 

Mas, saindo do ecoterrorismo e voltando à vaca fria, eu pensava no quanto é gostoso poder ir a pé pro trabalho bem pertinho, curtindo o bairro, quando vi uma garota parando com seu carro no sinal... com um copo plástico pendurado à boca. Uma loirinha bem bonitinha, com cara de sono, com jeitão de quem se arrumou às pressas, ainda começando o dia mesmo em frente ao volante. Segurou o copo (desta vez com a mão mesmo...) e pegou algo no banco do carona e levou à boca. Também comia algo, naquele café da manhã ambulante.

 

Não vou dizer que nunca fiz algo parecido, pois já fiz loucuras como o garfo em uma das mãos e o teclado do computador sob a outra, cara enfiada na tela... Quantos China in Box não foram consumidos assim? Houve uma época em que o pessoal do delivery já me conhecia pela voz, antes da febre do bina.

 

Até eu tomar vergonha e notar que hora de almoçar é hora de almoçar, de sentir o gosto, o cheiro... de sentar-me direitinho a uma mesa e aproveitar o momento, mesmo que breve. Café da manhã eu até tomo no trabalho. Gosto de tomá-lo em casa, mas sozinho não tem graça. Coisa gostosa era preparar o café da ex enquanto ela tava no banho, senão a guria saía de barriga vazia. Era legal ver a expressão dela ao sair do banheiro e sentir o cheiro do pão acabando de pular da torradeira... Outras vezes, quando não dava tempo, eu transformava a bolsa da menina em "lancheira", nem que fosse só com um Toddynho e uma maçã, pra ela não ficar sem comer. Mas hoje tomo um café devagarinho, geralmente lendo o blog. Quando posso, paro em alguma cafeteria legal antes de chegar à editora. Até aí, tudo bem.

 

Pode ser que a menina do carro tenha feito isso só hoje. Segunda-feira é sempre mais difícil sair da cama mesmo... Pode ser que ela tenha se dado de presente mais uns minutinhos de cama e tenha sacrificado o desjejum, improvisando-o no automóvel. Mas, se sempre faz isso, que Deus permita a ela poder tomar seu cafezinho numa boa, pra começar o dia melhor.

 

Mas há gosto pra tudo.... vai que ela gosta! Vai que alguém preparou aquele cafezinho pra viagem com carinho pra ela não ficar em jejum ... Já fiz tanto isso! 

 

Se tá feliz assim, deixa quieto!

 

O que a gente não escreve quando tá sem assunto...



-Saboreado por: mc às 10h06
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Por outro lado...

As mulheres não precisam que alguém abram a porta do carro para elas, e não esperam isso de um homem nos dias de hoje. Também não esperam que um cara dê preferência a ela no trânsito, no elevador ou em qualquer outra passagem, sem qualquer interesse que não o de ser cavalheiro. Não pedem pra ninguém ajudar a carregar as compras no supermercado ou no shopping, já vão pegando. Não esperam que ele pague a conta do jantar, querem dividir. Por outro lado há outras que só querem isso mesmo... um besta que as banque (mas há casos e casos... não dá pra julgar).

 

Admiro mulheres fortes, grandes profissionais, mas que não queiram ser homens, o que está evidentemente acontecendo. Conheço mulher mais machista que muito homem. Ser forte nunca dependeu do sexo. Algumas esqueceram a feminilidade, justamente o que as diferencia de nós. Admiro mulheres que gostem de ser e sejam mulheres, mesmo assim.

 

E, se o cavalheirismo é bom, também curto uma mulher ser uma dama. Não no sentido passivo e protocolar da palavra, mas também curto se eu estiver com muitos pacotes de compras e uma moça abrir o elevador pra mim. Questão de educação, independentemente do sexo. Como eu mesmo já o fiz várias vezes até para homens. Odeio quando acham que ajudo alguém por interesse.

 

Mas deixar alguém te ajudar é uma forma de retribuir o carinho, o que é tão importante quanto fazê-lo. Às vezes, nessa nossa independência para a qual fomos criados, não deixamos mais que sejam cavalheiros ou damas conosco. Mas é ÓBVIO que só vale a pena deixar quando é de verdade. Já vi muita gente caindo nas malhas do carinho falso, feito por interesse. Por isso, entendo também quando não querem favores, por menores que sejam.

 

Ah, e ninguém precisa ser meloso pra ser cavalheiro.

 

As mulheres de hoje não precisam de nada disso que eu disse lá em cima, de nada daquilo que eu disse no post de ontem.

 

Aprecio as que são inteligentes o suficiente para apreciar um ato de cavalheirismo, sem afetações feministas ou orgulho besta (repito, quando não há segundas intenções). Como dizia a famosa propaganda de cartão de crédito, “precisar, não precisa, mas...”

 

Cavalheirismo ainda existe, insisto. E é tão bom!

 

De ambos os lados.

 



-Saboreado por: mc às 09h55
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Ainda existem...

Ainda existem homens que: Abrem a porta do carro pra uma mulher. Deixam alguém sair antes do elevador. Carregam lenço limpo no bolso da calça! Puxam uma cadeira para uma mulher se sentar à mesa. Cozinham muito bem – e gostam! Choram assistindo a filmes. Entendem de absorvente feminino e analgésicos pra cólica. Dão flores. Presenteiam só pra ver a moça feliz, e não porque querem algo em troca ( e é óbvio o que querem). Levam pra um jantar pelo mesmo motivo. Querem apresentá-la aos pais dele (mesmo que não seja pra casar). Vêem uma roupinha numa vitrine e pensam em como ela ficaria. Lembram-se de datas (ih... esses existem, mas são poucos). Não acham que o futebol é algo sagrado. Não gostam mais do carro do que dela. Trocam fraldas. Sabem fazer uma bela massagem. Oferecem o próprio casaco a ela quando esfria. Perguntam o que ela quer comer (e faz, ou vai comprar seja lá onde for). Trazem sempre uma lembrancinha quando viajam. Andam do lado de fora da calçada quando acompanhados dela. Não deixam que ela carregue peso ou se esforce muito à toa. Dão o lugar no ônibus, ou pelo menos pegam os pertences de uma mulher para segurar. Sabem fazer carinho de muitas formas, até daquelas nas quais ela nunca pensou.

 

Enfim... eu poderia enumerar milhares de outras coisas aqui. E nunca vi algum cara deixar de ser, ou ser menos homem por causa disso. Tá bom que são poucos, muito poucos. Mas existem.

-Saboreado por: mc às 08h01
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Esse não é do meu tempo

 

 

Ontem eu estava na porta da sala de fotografia da faculdade, conversando com uma amiga, quando chega outra também amiga (e professora), do nada:

-         Super Dínamo! Lembra-se desse desenho?

-         Super quem? Quié isso?

-         Super Dínamo! Você não se lembra? Foi um dos primeiros desenhos japoneses a serem exibidos na TV aqui no Brasil.

-         É que... isso não é do meu tempo, eu acho...

-         Tá me chamando de velha, é?

-         Tô! (só de pirraça)

-         Ah... vai praquele lugar, vai!

 

E saiu irritada. Eu tava brincando, pô! Não chamei ela de velha, só tava curtindo com a cara da mulher (aliás, como ela sempre faz comigo).

 

Mas que eu nunca ouvi falar desse desenho, isso não ouvi... Fiquei com ele encafifado nas idéias... E olha que sou diplomado no assunto! Alguém aí conhece esse treco?

 



-Saboreado por: mc às 09h40
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