Eu não era lá muito adepto do mundo
virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está.
Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa,
moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai
muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas
até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito
que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja,
especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo
no meio da correria de sempre.
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EU, no meio do mato, numa cachoeira de todo tamanho, com botas para trilha (que passaram bravamente no teste), algumas partes praticamente na vertical, colete de reportagem (presente do meu amigão Luiz), o escambau... o urbanóide aqui tendo uma overdose de natureza.
Ô céu lindo o desse lugar, meu Deus! E, ao contrário da outra vez, o que aprendi sobra a parte urbana daqui me surpreendeu em todos os sentidos. Não me mandaram pra uma série de matérias. Mandaram-me para uma AULA DE JORNALISMO!!!!!!!!!
Todo m undo que estuda esse negócio tem que passar por uma dessas antes de decidir pela profissão.
Pela primeira vez na vida, vi um tucano voando, livre, leve e solto! Isso não tem preço.
Nem um ano inteiro de faculdade me ensina o que aprendi em apenas três dias. O melhor é que não estou nem na metade.
Não resisti e dei um pulinho num cybercafé e dei uma olhda no blog, entre outras coisinhas de trabalho (o bobo não trouxe o laptop...)
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mc
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22h31
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Bem, vou tomar uma overdose de azul do céu lá no Planalto Central por uma semana. É a trabalho, mas eu gosto, fazer o quê! Pelo menos é uma mudança de ares (só muda o lugar, mas a correria é a mesma). Já pus os tênis para trilha na mochila, os badulaques de esportes outdoor junto, além dos costumeiros apetrechos para reportagem (além da parte urbana e protocolar do negócio, separei um terno mais confortável, e por aí afora).
Se tiver um tempinho (duvido), escrevo uns posts de lá. Se não der... até a volta!
Desta vez, ausência do blog justificada...
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Saboreado
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mc
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08h50
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(não me lembro se já publiquei... mas lá vai...)
Ele chegou em casa após um dia cheio. Ela não chegara ainda, apartamento vazio e silencioso, tudo apagado. Tomou um banho bem demorado, vestiu algo bem confortável. Foi à cozinha americana e viu a despensa quase vazia. A geladeira, idem. Apenas duas fatias de pão integral e algumas fatias de frios, umas três folhas de alface e duas rodelas de tomate num pequeno tupperware. “Ah, ali na caixinha há leite suficiente para um copo de chocolate gelado.”
Caprichou no improviso. O copão de chocolate geladinho, o sanduíche, embora simples, delicioso. Foi sentar-se no sofá macio da sala, sob apenas a luz do abajur. Não ligou TV nem som, queria curtir o silêncio. O lanche merecia exclusividade. Começou a comer o sanduíche pelas beiradas, mordendo primeiro a casquinha do pão, deixando o miolo sem a casca para depois.
“O melhor deve ficar pro final.”
Finalmente, o pão todo sem a casquinha. Só o miolo macio e o sabor dos frios defumados e da saladinha bem temperada. Sorriu com um daqueles sorrisos que só as coisas mais simples conseguem pôr no rosto da gente. Ia dar a primeira mordida na melhor parte.
Barulho da chave na porta. Ela entra com a expressão cansada, ainda assim linda como sempre. Deixa a bolsa no aparador fica em pé a meio caminho do sofá.
- Oba! Sanduíche! Tou cheia de fome. Vou fazer um pra mim também!
E ia entrar na cozinha. Ele olhou pro pão em suas mãos...
- Hmmm, amor... não tem mais nada aí...
Ela fez muxoxo, deu de ombros e foi sentar-se ao lado dele.
- Pode pegar esse pra você. Eu já comi um pouco, mas tudo bem!
- Não, amor... Pode terminar, que isso!
- Come, amor! Olha como tá gostoso!
Ela comeu, saboreando cada mordida (“Tá gostoso mesmo!”). Comeu tudo, limpou a boca com o guardanapo, no qual deixou também um restinho de batom. Ele esticou para ela o copo com o chocolate (tinha dado só uns dois goles), que ela tomou todo, lambendo o bigode de leite que ficou no lábio superior.
Olhou pra ele, ajeitou os cabelos molhados do marido, passando-os por trás das orelhas.
A moça deu-lhe um beijo. Um daqueles beijos de selinho, mas demorados, com um suspiro junto. Ficou olhando bem nos olhos dele. Levantou-se e foi em direção ao quarto. Entrou, mas voltou, pôs a cabeça para fora da porta e deu um sorriso para o marido que só quem ama sabe dar, os olhos cansados, mas brilhando mesmo à luz baixa e longe do abajur. Sumiu de novo porta adentro.
Ele, no sofá:
“É... o melhor deve mesmo ficar pro final...”
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Saboreado
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mc
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16h55
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Quando um cara mora sozinho, e de repente vem uma garota morar com ele, pega certas manias que, em sua “casa de macho” não entravam antes. Não generalizando, alguns exageros podem ser reais, outros são só para dar um toque engraçado (embora também possam ser reais, acreditem).
A prateleira do box do banheiro ganha uma coleção de xampus e condicionadores (fora uns cremes para sei lá o que) maior que a do supermercado (ah, e sabonetes hidratantes). Você estica o braço, pega o primeiro xampu que vem e... “Ué... meu cabelo tá diferente, eu não me lembrava de ele ser cacheado!” A pia ganha um acessório antes desconhecido: escova para cabelo (homem tem tendência a só usar pente). Começam a aparecer cabelos no ralo. A mesa de cabeceira ganha uns cremes... um para mão, outro pro rosto, outro pro pé, outro pro resto do corpo e por aí afora... Seu barbeador fica cego mais depressa e você não sabe o porquê... até você ver a moça no banho raspando debaixo do braço com ele (e aqueles aparelhos cor-de-rosa ou verde-piscina que ela comprou, cheios de florzinha e coisa e tal? Cadê???). “O seu é melhor, amor...” Ta bom, ué...
De repente, no computador aparece um papel de parede com um bichinho fofo qualquer, ou uma flor. Pipoca um msn na tela (antes não tinha messenger instalado) com alguma doida perguntando “você está aí?”. Aparecem uns objetos estranhos pela casa... que depois te dizem ser vasos com plantas. “Ah, então isso é vivo?” Na hora de pôr a roupa na máquina, aparece um saco com zíper, todo furadinho... parece armadilha para pegar algum crustáceo... e tá cheio de lingerie. “É pra lavar roupas mais delicadas”. Ah... Tá. Aparecem almofadas no sofá. A cama ganha dúzias de travesseiros (mas são só duas cabeças!). Os lençóis aparecem com uma figuras misteriosas. “São flores, amor”. Ah... Tá... Aparecem cheiros diferentes pela casa afora. Você tenta achar aquelas coisas pequenas que sempre sabia onde estavam, e nem com num dia inteiro de procura, acha... Começa a ver que tem gente que vive com mais de três pares de sapatos... e não sobrevive sem menos de 50 pares. Em seu guarda-roupa, encontra aquela camisa da US Top que comprou em 1992 (e nem é mais fabricada há séculos), em pleno uso e novinha em folha. No armário dela, aquela blusa que você achou legal quando ela comprou há 3 meses não está mais lá... “Ué! Mas num tava novinha?” “Ah... enjoei.” Volta ao seu armário, e a US Top sumiu...
Falando em roupa, você se vê em uma situação nunca antes pensada: experimenta mais de uma antes de sair... E ai de você se escolher errado. Sempre vem algo estranho depois da frase dita pela voz feminina da casa: “Amor, olha o que eu comprei pra você usar!” Falando em comprar, antes você entrava no shopping, ia direto a uma loja, comprava o que queria e saía. Agora conhece cada canto do prédio todo... Você também se acostuma a ouvir outra palavra que diz totalmente o contrário do que simboliza, quando pergunta o que ela tem de errado: “Nada...”. E, na história da humanidade, nunca aconteceu nada bom depois de outra frase: “A gente tem que conversar.”
E... quer saber?
Tudo isso é bom demais.
Não sei como tenho conseguido viver sem isso! rsrs
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Saboreado
por:
mc
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11h21
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