Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Camila Bianchi - Divagando
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







(Até que) Enfim, primavera!

Ontem o dia estava tão luminoso, tão azul, tão lindo, que era até desaforo ficar dentro de casa. Após umas semanas chuvosas e cinzas, só este final de semana compensou todos os outros dias.

Após deixar passar aquela preguiça de quem acordou tarde (deixei a janela aberta propositalmente, pro sol me acordar), tomei um banho muito do gostoso, pus uma roupa leve e mandei ver nas andanças. Saí de Pinheiros pra tomar algo gostoso no Braverie (qualquer dia eu escrevo sobre o lugar aqui) e comecei a caminhada.

Dei por mim... e já estava no Ibirapuera. Já faz um tempo que queria ir lá. Andei pra caramba pelo parque, matei a saudade, e tomei o caminho de volta. Entrei por ruas a esmo, sem destino certo, descobrindo vias pelas quais nunca passara antes (adoro isso).

Em todo o caminho, ida e volta, aquela imensidão de azul entrando pelos olhos (e muito ficando aqui dentro). Em vários momentos, eu me via agradecendo a Deus em pensamento pela oportunidade de poder ver o dia-espetáculo que Ele fez.

Deviam mudar a data de início das estações, já que todas demoram cerca de um mês da data oficial pra realmente começar. Isso, de uns anos pra cá.

Porque este foi, sem dúvida, o verdadeiro primeiro final de semana de primavera de 2006.

Tarda, mas não falha.



-Saboreado por: mc às 09h28
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Contra o desperdício doméstico

Caso sério... querem esconder algo de mim? Escondam na gaveta de vegetais de minha geladeira. Eu estou com a péssima mania de comprar verduras, legumes e frutas... e esquecê-los á dentro, até tudo estragar.

 

Ridículo... logo eu, que acho um pecado mortal jogar comida fora... Mas está acontecendo com certa freqüência.

 

Ontem à noite, em meus pensamentos pré-sono, lembrei-me de uma rúcula que comprei... na semana passada. Eu comi a metade, pus a outra no tupperware e ‘tchum’, gaveta nela. Corri até a geladeira, e a pobre rúcula fazia companhia a dois tomates dois pimentões, uma raiz de gengibre e um limão... todos devidamente limpos, devidamente acondicionados nas embalagens... e indevidamente começando a deterioração.

 

Deu pena... Penitenciei-me... Ou eu me esqueço do que compro, ou me esqueço de usar algum ingrediente numa receita. O gengibre e o pimentão eram pra um assado que eu fiz no feriado de 7 de setembro... O assado foi feito, comido, festejado... e os pobres vegetais lá...

 

Bem... vegetais em casa, só se for pra comer na hora (esse negócio de morar sozinho é um saco nessas horas... fazer só um pouco dessas coisas não vale a pena). Já que, na maioria das vezes, como fora de casa, me reforçarei comendo saladas legumes e frutas pelos restaurantes da vida a semana toda. Em casa, nem pensar.

 

Só pra compensar, comerei uma mega salada de rúcula hoje no almoço...

 

Pensando bem, é até bom essa nova estratégia. Detesto lavar verduras e costumo comprar aquelas higienizadas. Não são tão baratas... 

 

Portanto, gaveta aposentada.

-Saboreado por: mc às 09h28
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Contra o estereótipo

Meu bairro tem céu azul. Muito azul! Nele, periquitos em bando fazem a maior algazarra, brincando o tempo todo, soltos. Bem-te-vis anunciam que viram algo e sabiás pululam pelos canteiros e calçadas, com cara de bravos (não sei o porquê, mas sempre achei que sabiá tem cara de bravo, mas é lindo assim mesmo).

 

Em meu bairro, o moço da banca de revista, a moça do café, o cara da padaria e o vigia noturno conhecem as pessoas pelo nome. As pessoas e os cachorros, que parecem não ser só de seus donos, mas mascotes da rua toda. E haja cafuné! Em meu bairro há um supermercado bonito e tranqüilo, que recebe luz natural, assim como recebe bem os clientes com música suave (anteontem fui recebido ao som de Norah Jones... funcionou... eu ia comprar lenço de papel e saí com o jantar todo de uma vez).

 

Em meu bairro há senhoras (orientais ou não) da terceira idade fazendo tai-chi na manhã fresca e ensolarada, sob um céu azul que vem te dar bom dia. Depois, tomam água de coco aberto na hora, animadas, pondo a conversa em dia (durante o tai-chi é silêncio mesmo). Em meu bairro, podemos caminhar de dia e à noite, ainda tranqüilos. Há vilas com sobradinhos coloridos e floridos, com o cachorro brincando na garagem ou o gato espreguiçando-se ao sol em cima do muro.

 

Em meu bairro há pracinhas com grandes árvores, sob as quais crianças brincam nos playgrounds. Há jovens jogando vôlei nas quadras, suando e rindo. Há feiras no meio da rua, naquele velho estilo de “mulher bonita não paga, mas também não leva”. Com pastel, caldo de cana e tudo. Há gente bonita indo para o trabalho com a sacolinha de papel com pão de queijo e copinho de isopor com café para viagem. Há o rapaz da bicicleta com uma cesta de pães na frente, com sua buzina de borracha fazendo fom-fom e chamando lá de dentro de casa gente que quer pão quentinho para o café.

 

A propósito, este meu bairro fica na maior cidade do país, famosa por só ter concreto, asfalto, poluição, violência e barulho. E isso não é no subúrbio. É na área central, ainda, a menos de cinco minutos do centro. Em parte, é verdade que essas coisas lamentáveis existem. Também. Não muito aqui no bairro, felizmente.

 

Mas erra quem acha que é só isso. Ignorantemente.

-Saboreado por: mc às 09h13
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