Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Liliane Prata
- Taxitramas
- Camila Bianchi - Divagando
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







Em breves capítulos

Começo

Há filmes que marcam certas passagens de nossas vidas. Ou até ela inteira...

Havia um rapaz que dava seus primeiros passos em um trabalho que, mesmo sem ele saber, sonhara com ele a vida toda. E ele nem via aquilo como trabalho, até tirar seu próprio sustento dele.Crítico de cinema. Ofício prazeroso, porém deveras trabalhoso. E, podem apostar, valia cada gota de suor, cada centavo pago pelo curso de cinema naquela que é tida como a melhor universidade do país.

Este trabalho, tão amado, fazia com que o rapaz tivesse que assistir a todo e qualquer tipo de filme lançado. Todos, sem distinção, como lhe ensinara um dos melhores críticos do país, um homem que provou ser bem mais que um ótimo amigo... e prova até hoje.  Bem... digressões á parte, voltemos ao fato de ele ter que assistir a todos os filmes. Um deles seria lançado, e o rapaz foi convidado para uma pré-estréia bastante exclusiva.

Acontece que, para escrever melhor sobre um trabalho tão complexo quanto o de cinema, o tal rapaz fazia curso de interpretação. Só para saber o que custava de suor a um ator o seu ganha-pão, e não ser injusto em uma crítica a qualquer atuação que fosse.

Naquele curso, pelo qual já passara gente bem famosa, ele via uma garota, que por acaso vinha a ser a mais bonita dentre as alunas. Depois ele descobriria que era a mais inteligente também. Não havia interesse nela, nem mesmo seu nome ele sabia. Era bonita, ele a via, e só. Até começarem a conversar, na saída do curso, andando pela calçada da Avenida Paulista afora.

Aí sim! Conversando, sentiu-se atraído por ela.

(continua no post abaixo)



-Saboreado por: mc às 01h17
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Meio

Num outro dia, um sábado ensolarado, saindo do curso, acompanhou-a até o ponto de ônibus (era caminho da casa dele, a apenas uma quadra). Resolveu fazer companhia enquanto o ônibus dela não aparecia. Após cerca de uma hora de uma conversa da melhor qualidade, ele estranhou. Qual era o motivo de o ônibus dela demorar tanto? Os dois em pé no maior calor, céu aberto, sol forte que refletia nos olhos verdes dela, os mais bonitos que ele já vira na vida (eram mesmo, e não só porque ele gostava dela). Perguntou a ela se a demora era normal.
 - Bem... na verdade já passaram quatro vezes... Eu os deixei passar pra ficar mais com você... Mas o próximo eu pego, porque já demorei muito.

Ele sorriu. Quis retribuir o gesto bacana da moça. De estalo, lembrou-se da pré-estreia do tal filme, na terça-feira seguinte. Lembrou que muitos rapazes a convidavam para sair no curso, mas ela recusava gentilmente, fosse lá qual fosse o motivo. Mesmo assim, convidou-a.
 - Quero ir, sim!

Eis que chega a terça. Ele telefona durante o dia e pergunta se ela confirma a ida. Resposta positiva. Ela, ao se despedir:
 - Um beijo!
 - Ah, deixa pra dar pessoalmente (ele brincando e disfarçando a timidez).
 - Ah... rsrs! Com toda certeza!

Bem... o clima era evidente. Na hora em que a encontrou, estava simplesmente encantadora. Não é que ela conseguiu ficar ainda mais bonita do que já era? Sem perceber, ele esticou a mão, que ela pegou. Foram de mãos dadas ao famoso hotel em cujo teatro o filme seria exibido. Só duas quadras de caminhada. Conversa agradável até as luzes se apagarem. Ele não se lembra muito bem do que aconteceu nos minutos seguintes, mas se lembra de deixar que os olhos escapassem da tela para apreciar a beleza da moça. Incomum mesmo. Mas se lembra direitinho da hora e que o casal protagonista se beijou em um bonito jardim, à noite. Brincou:
 - Ah, quero só ficar olhando não. Também quero!
 Foi o primeiro beijo dos dois. Dias depois, namoravam. Firme. Muito. Tempos depois, dividiam o mesmo teto. Vida feliz, como tinha que ser. Encantava-se dia após dia com a facilidade de ela rir o tempo todo. E que sorriso lindo!

Não é preciso dizer o quanto gostavam do filme. Ela decorara cada fala, cada música. Passagens que até ele, que trabalhava com isso, não lembrava mais. E realmente, era um dos melhores filmes, dentre os milhares e milhares aos quais ele já assistira em toda a vida até ali, a trabalho ou por amor à Sétima Arte mesmo. Comercial, cinemão, pipoca... mas bem feito! Um romance para ninguém pôr defeito (é claro que puseram, mas ele estava pouco se lixando...).

(continua no post abaixo)

 



-Saboreado por: mc às 01h15
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Fim

Mas a vida é engraçada de vez em quando (e a palavra "engraçada", aqui, infelizmente não é no bom sentido)... Aquele amor, tão forte, quase palpável, um divisor de águas e suas vidas... um dia naufragou. Nem é preciso dizer o tamanho da tristeza, por um período um tanto longo para quem estava dentro da situação.

Um dia, mais de um ano depois, o rapaz andava sozinho por um enorme shopping. O sistema de som ambiente começou a tocar... a principal música da trilha daquele filme. Ele achava que estava tudo resolvido... mas sentou-se a um banco em um canto qualquer, cabisbaixo... E cada nota, cada palavra, doíam. Como podia algo que era tão bom, tão agradável, que trazia tanta felicidade, virar motivo de dor? Ainda se lembrava de como ela se emocionava quando a mesma música era tocada de repente no rádio. Era o filme deles, era a música deles!
Bem... passaram-se alguns anos. Ele redescobriu a felicidade a seu modo, sozinho mesmo.

Sentia-se bem consigo, agradecendo a Deus por tudo o que reconquistara na vida (quando houve a separação, ele já havia perdido tudo o que conquistara após tanto esforço, até perder a única coisa que lhe sobrara, que ele não gostaria de perder de modo algum na vida,e que ele mais amava). Ele acertou, errou, tentou, redimiu-se... Poucas mulheres já foram amadas como ela, que também o amou muito. Porém,estava sem ela. Mas... enfim, reaprendeu a ser feliz com ele mesmo. Graças a Deus, que não o abandonara diante da situação mais triste de sua vida.

Ele se levantou de uma forma que causou admiração a ele mesmo, que só via, anos antes, o chão sumindo sob seus pés. Era de novo capaz de, mesmo só, caminhar por seu bairro (no qual fora morar após muito sacrifício) e poder curtir o fato de poder enxergar o céu azul, sentir o friozinho da manhã no rosto, a caminho do trabalho que tanto amava. Voltara a escrever, após ter perdido a crítica cinematográfica que tanto amava. Mas reaprendera a escrever sobre os mais diversos assuntos em revistas que ele admirava desde criança, apenas como leitor.


 Anos depois, lembrava-se... Concluíra, em uma conversa com a mãe (a maior companheira de sua vida e quem, sem sombra de dúvida, mais o amava), que o que doeu muito não foi tanto a tristeza, não foi tanto a saudade corrosiva, os planos sonhados a dois e enterrados ainda vivos por um só. Quando teve que se desfazer das coisas que ela deixara em casa, deu de cara com a blusa que ela usou naquele primeiro beijo, naquela sessão tão especial de cinema. A grande tristeza não era nada disso.

A grande tristeza, percebeu ele, era não ter mais com quem dividir a alegria da reconquista, da redescoberta de tudo. Ter que sentir o sabor agradável da vida e não poder compartilhar com quem amara. Ironicamente, a tristeza vinha das alegrias. Mas isso passou.

Era feliz de novo.

(continua no post abaixo)



-Saboreado por: mc às 01h14
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... e Recomeço!

Numa véspera de feriado, à noite, ele resolveu ligar a TV.

Num canal pago que só exibe o bom cinema... Eis que aquele filme, do qual ele evitava sequer lembrar o título, começou de repente, numa zapeada fortuita. Ele não sabia porquê... não mudou de canal.

Durante o filme, pegou-se rindo das falas inteligentemente bobas, das caras dos personagens nos quais foram colocados defeitos bastante humanos, e qualidades idem. As músicas, cada uma melhor que a outra. É claro que chegou a se lembrar de certa pessoa, mas a lembrança ia rápido embora, diluída em diálogos (bem) dublados que voltavam a fazer com que ele risse.

"Filminho bem realizado", pensava ele, num misto de técnica profissional e simples curtição mesmo, sem o menor compromisso. Gostava mais ainda pelo fato de seu bairro querido, guardadas as devidas proporções, ter muitas características em comum com o bairro retratado no filme. Quando os créditos subiram... ficou feliz... Descobriu que o que havia de bom em tudo o que acontecera estava nele, dizendo ou não respeito a outra pessoa.

Sentiu-se... livre!

Livre!

Foi capaz de gostar do filme de novo... mas só pelo filme! Apenas.

Só então teve coragem de pegar o controle remoto e desligou a TV.

Aquela sensação gostosa que fica após um bom filme estava ali, presente, pulsante, calma e gostosa, no silêncio da sala.

Lembrou-se do CD com a trilha daquele mesmo filme. Durante anos, a única coisa que tocou o estojo do disco foi a poeira, ou algumas flanelas esporádicas. Colocou-o no aparelho de som.

E, ao som da gostosa trilha, escreveu este post...

Ah... tudo bem, ele pode dizer qual era o filme, e indica a quem quiser.

Nunca a Julia Roberts, que pode ser intragável na vida real, sorriu tão bonito quanto neste filme em especial. Você pode pegar todos os outros que ela fez e pode comparar.
 
Um Lugar Chamado Notting Hill.



-Saboreado por: mc às 01h13
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Portinari merecia mais

Um dos artistas brasileiros de maior renome na história da arte, Cândico Portinari, sempre me chamou a atenção por suas obras e pela simplicidade de suas origens e de sua vida. Alguns de seus contemporâneos atestavam tal simplicidade.

 

Estive no museu instalado na casa em que o pintor viveu, em Brodowski, interior de São Paulo. Primeiro, fiquei maravilhado com os afrescos nas paredes, a arte presente e respirável em toda a casa (em especial na Capela da Nonna, cômodo que ele pintou à guisa de oratório para sua avó, que já encontrava dificuldades de locomoção pela idade avançada). Os móveis, utensílios e fotos da vida simples de família interiorana me encantaram sobremaneira.

 

Mas o encantamento acabou por aí...

 

Na tentativa de obter ilustrações e mais informações, a senhora que atendia no Museu me olhava como se eu fosse um invasor de outro planeta. “Jornalista é coisa de fora.” Seja lá o que quisesse dizer com isso, foi o que aconteceu. “Ah, pra quê foto? Qualquer um com uma câmera digital de bolso pode fotografar pra qualquer revista.” Bem... nem pensei em discutir com uma alma tão elevada e profissional. Não parou por aí. Na tentativa de obter o necessário no Projeto Portinari, lá no Rio, primeiramente atendeu alguém que, até agora, não sei se estava dormindo ou acordada, ou se lamentava ter que arrastar sua carcaça de casa até o trabalho numa segunda-feira. Tal sacrifício deve ter exigido todas as forças e a boa vontade da criatura. Pois a tal telefonista-Garfield (por mais que eu goste do gato em questão, infelizmente a comparação é pejorativa) me colocou em contato com alguém muito pior. A tal da assessora que autorizaria as fotos (após eu passar por umas 6 pessoas que iam me empurrando uma após outra para o ramal mais próximo, com muito “entusiasmo” na voz) disse que me mandaria um e-mail. Esperei, pacientemente... Algo em torno de uma semana.. apenas! Só isso.

 

No e-mail ela dizia que eu tinha que dar o código e o título a certa pessoa do Projeto. Mas... código do quê, gente? De onde? Onde estaria tal relação com os citados códigos?

Desconfiei que fosse no site do Projeto. Mesmo assim, liguei para me informar melhor, com jeito, atenção e educação. A mulher falava as coisas pela metade, com muuuuuuita má vontade junta em uma pessoa só. E disse: “ah, eu não tou com vontade de trabalhar hoje”. Mui educadamente, desligou na minha cara.

 

De vez em quando, me pergunto se estou fazendo errado em querer que meu trabalho saia bem-feito, ou se gostar dele é errado. Eu persigo a boa qualidade porque acho que é o mínimo, após tanto esforço pela vida afora para conseguir o que quero. Não sou perfeito, mas ninguém pode me chamar de desleixado...

 

Se estou errando, persisto no erro.

 

Mas que um pouquinho de profissionalismo de vez em quando faz bem, ah... isso faz!

 

A memória de Portinari não merece isso.

 

Nem eu. Mas dane-se. Nada que um sorriso que uma menininha que conheci (me mandou por e-mail, uma foto de celular) não faça evaporar em menos de um segundo. Os mal-amados que me perdoem, mas o sorriso da garotinha merece mais o meu tempo.



-Saboreado por: mc às 16h11
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Aberta a temporada de caça aos Furbys...

Alguém aí pode me emprestar munição para matar um Furby? Uma colega colocou um aqui na redação e tou morrendo de vontade de dar uma pedrada nele... Pra completar, fala espanhol... argh! (Nada contra Furbys, desde que fiquem calados...).



-Saboreado por: mc às 13h21
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Tô em Ribeirão

No momento, tou curtindo um calorão de sauna a céu aberto em Ribeirão Preto, para uma matéria sobre a cidade. Ótimas surpresas já fizeram a viagem valer a pena. Volsto semana que vem pra minha urbe querida.

-Saboreado por: mc às 17h52
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