Saboreando



Eu não era lá muito adepto do mundo virtual e nunca havia pensado em ter um blog, mas aqui está. Sou repórter e redator, trabalhei muito com cinema na imprensa, moro em São Paulo e adoro essa cidade. A vida urbana me atrai muito (sorte minha) e faço parte desse caos todo aqui, mas até que sou bem tranqüilo (já fui menos). Acredito que todo dia tem que ter pelo menos um momento, por menor que seja, especial. Pra isso, é necessário saber enxergá-lo no meio da correria de sempre.



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- Liliane Prata
- Taxitramas
- Camila Bianchi - Divagando
- Olivia de Perto (com sua bela voz)
- Daniele em Londres - vida nova (e mais que interessante) no Velho Mundo







Revista de mulher vestida

Do amigo que chega ao café e me pega de surpresa na mesa lá do cantinho:

-         Peguei! Tá lendo revista de mulher pelada!

Eu, surpreso com o pequeno susto:

-         Né não. É de mulher vestida mermo...

-         É... mas... de mulher! Eu até pensei que fosse de mulher nua porque olhei de relance a moça da capa com pouca roupa... Mas pq vc tá lendo isso?

-         Pq a matéria tá boa, ué... Que foi? Num posso? Sou menos homem por causa disso? Ó a porrada na “oreia”...

-         É que nunca vi homem lendo essas coisas...

 

Caro amigo rotulador... Muitos lêem sim, mas escondido. Não tenho nada contra ver mulher sem roupa, muito pelo contrário. “Gostcho, e muntcho”. Mas as revistas de mulher vestida também têm coisas interessantes. Não interessantes quando estereotipam, pregam aqueles padrões de beleza que nem as belas das capas superphotoshopadas e com 2 kg de maquiagem atingem. Ou quando mostram o “look ideal para a estação” com aquela blusa “féchion” que custa 450 reais (e que vc acha por 50 paus em uma boa loja menos metida a besta de um bom shopping,  e vê que é exatamente a mesmíssima blusa) e a saia que custa 500 reais demais para uma tira de pano bonitinha, por mais que bem desenhada e idealizada por uma estilista inteligente e capaz... Ou quando pregam que o único passeio viável é um feriadão em Ibiza ou o “homem ideal” só dirige de BMW pra cima. Ou que o sexo tem que ser sempre mirabolante, de preferência uma versão erótico-pornô de um número do Cirque du Soleil... Tá... Muitas revistas são assim, mas um texto e outro se salvam no meio de tanto rótulo besta. Nada contra uma mulher ser bem sucedida e poder comprar numa boa a tal blusa e a tal saia, ou ser mesmo bonita além do normal, ou sempre passear no exterior. Mas a vida não é só isso... Mas a maioria das leitoras vivem uma vida, digamos, mais “normal”... E nos encantam assim mesmo (pelo menos os que sabemos enxergar isso).

 

Acontece, amigo sem noção, que se vc nasceu de chocadeira, eu tenho mãe em casa (pelo menos morei com ela até 12 anos atrás). E irmãs também. E tias, e amigas, e namoradas... E elas aprenderam a ler, pois não é mais proibido... E sempre deixaram ali no sofá uma Claudia, uma Nova, uma Marie Claire, uma Criativa, uma Capricho... (felizmente a galera lá de casa nunca foi muito de Contigo e outras tão ridículas quanto). E eu olhava pra revista, ela olhava pra mim, e quando via eu tava lá na capa 4, numa boa.

(continua no post abaixo, amigo, porque o Uol sacaneia...)



-Saboreado por: mc às 10h26
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É, sempre li numa boa. É como se uma mulher nos deixasse entrar no quarto dela depois do banho, quando passa creme no corpo (aiai...). Mostra como escolhe a calcinha, como esconde com talento os defeitinhos que todo mundo tem e fica atraente. E fica atraente mesmo quando esses defeitinhos não estão escondidos, se a gente gosta dela. Ela mostra que os seios incham e ficam sensíveis na época da menstruação, e que os absorventes mais modernos aliviam muito do desconforto dessa semaninha braba. Que a gente se chateia com a demora com que algumas delas se arrumam, mas que pode valer a pena às vezes, embora não tenhamos paciência... Mostram que fantasiam também, que querem que a gente realize certas coisas gostosas que não custam nada... Que aquela quantidade de cremes e xampus e maquiagens têm um certo motivo, mesmo que psicológico... Aí a gente, amigo bobo, acha legal até vê-las pintando o cabelo com aquelas coisas fedorentas (que colorem o cabelo, a toalha, a camiseta, o chão, a porta, o carpete...). Mostram que a lâmina de barbear do marido é sempre melhor que aquelas cor-de-rosa feitas pra elas (e o nosso rosto sente isso na pele depois...), que elas ficam lindas de calcinha e camiseta (e às vezes meias do Garfield ou da Hello Kitty) na hora de dormir... Que adultas também têm bichos de pelúcia...

 

E que algumas escrevem de uma forma tão gostosa, que dá vontade de escrever com elas na mesmíssima revista (que cara é essa? Tá desconfiado de alguma coisa de novo? A oferta para o tal tapa na orelha ainda ta de pé...). É isso mesmo, dá vontade de escrever lá! Pq não?

 

E embora a gente solte palavrão vez em quando, cuspa no chão quando ninguém olha (não tou generalizando, mas tem cara que faz isso...), dê aquela coçadinha básica sub-repticiamente lá embaixo, coma aquela carne pingando sangue (hmmm, que tá quase na hora do almoço!!!) ou entre pisando forte no elevador com aquela bota de sola grossa que parece de operário de construção... A gente pode apreciar aquela menina/moça/mulher de roupão sentada à beira da cama escovando aquele cabelo molhado e sorrindo pra gente por trás do barulho do secador... E sempre é bom quando o roupão cai, aquele cheirinho de sabonete...

 

Também tou procurando uma revista de homem vestido, caro amigo, que elas também possam ler sem aquela linguagem que, de tão machista, deixa até homem incomodado... Uma revista em que não achem que a gente é feito de carrão e exibicionismo do resultado da academia, e nem de ficar eternamente desejando mulheres photoshop... Mas uma revista que também seja um convite para que elas também entrem em nosso quarto depois do nosso banho. Tá... a gente (que não é metrossexual) se arruma mais rápido, confesso. Mas elas são inteligentes e captam com rapidez. E poderão, no dia em que eu achar esta revista (e quem sabe eu mesmo também escrever algo nela), participar, ou pelo menos entender um pouquinho mais, da nossa vida. E nos lançar aquele mesmo sorriso que damos quando as vemos naquela cama, com aquele robe, sorrindo por trás do barulho do secador...

 

 

 

 

 

 



-Saboreado por: mc às 10h25
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Post estilo Jéssica (ou coisa parecida)

No Festival de Cinema de Curitiba, os jornalistas, críticos e artistas de fora são pajeados por meninas de Nextel em punho, as chamadas receptivas. Elas chamam os carros quando precisamos ir a algum lugar, cuidam de nossa alimentação e nos chamam nos horários da programação. Tudo nos conformes. Bastante versáteis, as receptivas nos acompanham também nas horas (raras) de folga.

 Há uns 4 ou 5 anos atrás, se não me engano, uma receptiva de nome Daniela (ou coisa parecida) era toda fashion, com seu cabelo (ou coisa parecida) armado quase branco e suas roupas estilo customizado (ou coisa parecida...). Simpática, mas atrapalhadona. Acontece que a menina era minha receptiva e também da dona Lúcia, mãe do Glauber Rocha,  que foi conferir uma homenagem ao ícone máximo do Cinema Novo.  Falávamos do filho dela, obviamente (eu não perderia a chance), que ela mesma alfabetizou. Era responsável pelo Tempo Glauber, museu em Botafogo, lá no Rio, com acervo sobre cinema bem variado. Mas também falávamos de coisas simples e agradáveis como ela.

 

Um dia estávamos no saguão do hotel Paraná Suíte, onde nos hospedávamos, esperando o carro que nos levaria ao Canal da Música, onde acontecia o festival (o resto da cidade nem tomava conhecimento de que ali acontecia um festival de cinema!). Eis que chega nossa receptiva, estabanadinha como sempre. Até aquela hora, a menina nem desconfiava quem era dona Lúcia... No meio de uma conversa, a guria pergunta o que a mulher fazia para estar num festival de cinema... Expliquei que era mãe do cineasta....

 

-         Ah... QUE LEGAL!!! Então a senhora é mãe do Glauber Rocha?

-         Errr... sim!

-         Puxa! Legal mesmo!

-         Pois é...

-         Então! Por que é que ele também não veio?

 

Peguei a senhora pelo braço antes de qualquer coisa, “vamo nessa, dona Lúcia, nosso carro chegou!”

 

No dia seguinte, ficamos sem uma receptiva, mas ganhamos três outras pra compensar...



-Saboreado por: mc às 11h02
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Vai que é bom!!!!

 

SÃO PAULO COMEMORA A CHEGADA DO ANO NOVO CHINÊS NA LIBERDADE EM FEVEREIRO.

AGORA É O ANO DO PORCO

 

 

 

Paulistanos e turistas que estiverem na Capital nos dias 10 e 11 de fevereiro terão uma prévia de como será a chegada do novo ano na China, no fim de semana seguinte (18 de fevereiro). Essa é a segunda edição da festa organizada pela JCI Brasil – China. Quem for à Liberdade terá uma boa mostra da cultura oriental com danças, shows musicais, comidas e várias atrações.

São Paulo comemorará, pelo segundo ano, a festa mais importante do calendário chinês. A chegada do ano novo levará muita música, dança, artes marciais, dragões, leões e diversos pratos da culinária chinesa para as ruas da Liberdade. Organizada pela JCI Brasil – China, a 2ª Festa do Ano Novo Chinês está marcada para os dias 10 e 11 de fevereiro. No sábado, a festa começará ao meio-dia e se estenderá até às 20 horas. No domingo, será das 11 às 20 horas. A entrada é gratuita.

 Para reproduzir o clima da festa oriental que dará início ao Ano do Porco, será instalado um palco para apresentações na Praça da Liberdade e, nas ruas próximas, serão montadas barracas estilizadas com símbolos do país onde o público poderá conhecer mais sobre a cultura como as diversas técnicas de artesanato, pintura, feng shui, horóscopo chinês e a diversificada culinária chinesa. Os shows pirotécnicos que caracterizam a chegada do Ano Novo na China também farão parte da festa.

 De acordo com Willian Lin, diretor da JCI Brasil-China, a idéia do evento é apresentar a cultura milenar chinesa aos brasileiros, além de manter a tradição viva entre os imigrantes e descendentes que vivem no Brasil. No ano passado, mais de 160 mil pessoas participaram da Festa do Ano Novo Chinês, na Liberdade. Parte da renda da festa será doada à comunidade paulistana.

Eu fui ano passado e a impressão que tive foi das melhores! Há muita, mas muita gente mesmo, mas não há o menos sinal de bagunça ou desorganização! Famílias inteiras, muita criança, comidas maravilhosas (e a preços muito bons), desfiles, deixando a Liberdade ainda mais gostosa do que já é! Confiram!



-Saboreado por: mc às 16h24
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Fosfosol nele!

Carlos Moraes batalha há décadas no jornalismo brasileiro. É egresso da histórica revista Realidade, que chegou para injetar um pouco de criatividade à imprensa da época da ditadura. Até pouco tempo atrás o gaúcho editava a Ícaro, onde escrevo. Saiu da editora ano passado, às vésperas da merecida aposentadoria, o nosso ex-padre que já foi preso pelo regime militar por causa de seus sermões e sua camisa vermelha em homenagem ao Internacional.

 

Mas o Moraes continua de vez em quando aparecendo aqui ou telefonando, como fez um dia desses:

 

-         Ô, Cypriano! Tou lendo um livro muito bom e não pude deixar de me lembrar de você.

-         Ah, é? Conta aê!

-         É de um chileno, o Alberto Fuguet, líder do movimento McOndo, que proclama o fim do realismo mágico, e lutador contra o lugar-comum de uma América Latina folclorizada. Ele faz uma espécie de linha do tempo da vida dele, de acordo com os filmes que estavam sendo exibidos e que o marcaram de alguma forma. Eu não pude deixar de me lembrar de você, por causa do cinema!

-         É, Moraes?...

-         É! Vou levar pra você assim que acabar de ler.

 

Silêncio do lado de cá da linha...

 

-    Ô, Cypriano! Tu ta aí?

-         Tô aqui, Moraes... Rsrsrsrsrsrsrs!

-         Que que foi?

-         Moraes... fui eu que te dei o livro de presente...

-         AAAHHHH ÉÉÉÉÉÉ!!!!!???? Ih, caramba! Tá vendo o que a idade faz com a cabeça da gente? Rsrsrsrs!

 

Bem, de um jeito ou de outro, o que vale é que ele se lembrou!

-Saboreado por: mc às 10h48
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Qualidade de vida

 

Muita gente abomina e combate a rotina. É claro que há rotinas e rotinas... Eu consegui construir o dia-a-dia de forma que ele seja agradável, que me permita administrar o inevitável estresse. É, eu gosto de minha rotina (houve vezes em que achei que nunca diria isso novamente)! As providências para que isso acontecesse foram relativamente simples, embora não tenham sido tão fáceis (mas consegui! rsrs): vim morar perto do trabalho (o que me permite vir a pé por ruas bonitas e agradáveis, evitando as de maior movimento e feias), vim para um bairro cuja infra-estrutura é excelente (não sabia disso antes de vir trabalhar aqui, por absoluta ignorância de quem nunca veio ver pra crer) – tudo o que preciso, tenho aqui por perto, trabalho no que gosto (não antes de ter batalhado muito, e de ainda batalhar por isso), almoço num lugar interessante (e não só mando qualquer lanche pro bucho, eu ALMOÇO mesmo, com comida e com contexto)...

Administrando direitinho, a vida em São Paulo não é somente aquele caos que muita gente imagina. Mal informadas, apenas.

Obviamente, também fico de saco cheio e quero desligar-me de tudo de vez em quando. Também desanimo, ué... Nada que uma viagem curta ou um bom feriado não resolvam. É claro que me estresso e às vezes “fico só o pó”. Mas mesmo esse cansaço é bem-vindo, porque há um bom (ótimo) motivo para ele acontecer: trabalho.

Por isso, aprendi a dar graças a Deus até mesmo pelo cansaço.

 

(e voltar a postar também é muito bom!)



-Saboreado por: mc às 07h47
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